sábado, 3 de abril de 2010

Nada é assim tão importante...

Como adultos um dos motivos principais porque sofremos prende-se directamente com a importância que damos a um qualquer evento. Não é o evento em si que nos provoca dor, é a importância que lhe atribuímos.

Em primeiro lugar tenho que definir o que é para mim importante. Realmente importante. Aquilo que é tão importante que sou capaz de dar a minha vida em troca. E não encontro nada. Tudo é passageiro na vida, incluindo a minha vida. Tudo na minha vida terá sempre um principio e um fim. O fim é igual para todos: a morte física.

Se olhar para trás, para o passado, irá descobrir que todos os eventos importantes que provocaram sofrimento se encontram agora resolvidos. Sem excepções. Podem não ter ficado resolvidos como tu desejarias. Mas tu não és o centro do universo para decidir pelas vidas dos demais. E também não és mais inteligente que a própria Vida para saber qual teria sido o melhor resultado final. Mas posso garantir-te que o resultado final foi o mais apropriado. Porque sei isto? Porque foi o resultado que obtiveste. Não há argumentação alguma.

Em vez de olhar para uma situação do passado dolorosa e desejar que tivesse ocorrido de maneira diferente, que tal optar por querer aprender a lição encerrada nesse evento? O que poderias ter aprendido? Talvez a respeitar-te mais? A dizer a tua verdade? A amar incondicionalmente? A permitir que outros fossem quem foram? Se nos eventos dolorosos do passado houvesse um presente, uma lição para ti, qual seria? Quem és hoje graças a cada um desses eventos?

Talvez alguém mais forte, mais corajoso, mais atento ás suas necessidades, ou mais útil a outros que sofrem?

Tudo na vida tem apenas a importância que eu lhe atribuir. Eu prefiro atribuir importância a momentos onde vibro com a vida, onde sinto a presença do amor. O amor reflecte-se num raio de sol, numa gota de chuva, numa aragem, num pássaro que passo por cima da minha cabeça, no sorriso de uma criança, nas rugas de um idoso, num autocarro que me leva a qualquer lugar, no café que posso tomar com um amigo, no computador onde posso expressar os meus pensamentos.

Quando uma relação íntima termina. Posso olhar para trás e sentir-me grato por ter partilhado a minha vida durante algum tempo com alguém (já pensou quantas pessoas nunca tiveram a experiência de partilhar um momento especial?), ou posso guardar um ressentimento perigoso por a outra pessoa não ter sido quem eu queria que fosse.

Acredito que Deus, ou a Vida, nunca nos dá nada a menos que seja uma lição para a nossa evolução, algo para nos fazer crescer. Só a uma alma muito forte é concedida a aprendizagem presente na Noite Escura da Alma. Podemos aprender e seguir em frente. Ou podemos atribuir a cada evento tanta importância que nos perdemos nos nossos próprios pensamentos e esquecemo-nos de viver.

Todos os dias milhões de seres humanos nascem. Todos os dias milhões de seres humanos morrem. Enquanto estamos aqui podemos sentir-nos gratos por cada experiência humana, ou podemos queixar-nos que a Vida é injusta. (Injusta para quem? Se tem comida para comer, água para beber, roupa para se agasalhar e um lugar onde dormir pode ter a certeza que possui já muitas mais bênçãos do que uma grande, grande parte da humanidade).

Quer que o dia de amanhã seja melhor? Então repita este mantra: “Tudo só tem a importância que eu lhe atribuir – e nada é assim tão importante quanto eu acredito.” Depois sorria, um dia também vai morrer. Morra feliz por ter tido a experiência humana. Vale a pena!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Eu irei sempre fazer aos outros aquilo que me fizeram a mim.

A menos que se torne consciente das suas feridas emocionais da infância, irá sempre fazer aos outros o que os seus pais lhe fizeram a si. Poderá não utilizar as mesmas “armas”. Talvez tenha sido abusado fisicamente, e como adulto opte pela agressão verbal. Ou pior ainda: a agressão passiva, em que se fecha num silêncio mortal à espera que os outros adivinhem o que lhe fizeram ou não.

Recorde a sua infância e a forma como foi educado pelos seus pais. E veja como está a educar os seus filhos. Se os seus pais não lhe deram o amor que precisava, que amor está a dar aos seus filhos? Quando foi a última vez que disse a um filho: “amo-te por seres quem és”?

Talvez trate os seus filhos com muito amor. E talvez cause danos aos seus colegas, cônjuge ou patrão. Como trata as pessoas à sua volta? Como foi tratado em criança?

Por vezes basta uma palavra do progenitor para que você passe o resto da vida a causar danos aos outros. Se na sua infância alguma vez o pai ou a mãe lhe apontaram o dedo e disseram que era burro, a quantas pessoas é que já apontou o dedo e decidiu que eram burras?

Se sentiu rejeição ou abandono enquanto criança, quantas pessoas já abandonou? Quantas pessoas rejeitou? Que peso e medida utilizou para julgar alguém e decidir que merecia ser rejeitado? O seu peso e a sua medida, sem dúvida. Mesmo sabendo que você é completo na sua imperfeição, santo e pecador, decidiu que outros estavam abaixo de si.

Quando conseguir ver que a sua vergonha, culpa, medo, ressentimento, raiva e sentimentos de imperfeição estão presentes em todos à sua volta, como é que pode magoar outros? Antes de causar danos a alguém, espere três dias. Antes de abusar verbalmente, antes de apontar o dedo, antes de se queixar, antes de dizer da sua razão, aguarde três dias.

domingo, 28 de março de 2010

A auto-sabotagem

Hoje iremos ver as formas como criamos auto-sabotagem nas nossas vidas, impedindo-nos de avançar em direcção ao nosso propósito.

São vários os motivos porque nos dedicamos, consciente ou inconscientemente, à auto-sabotagem: sentimento de não merecer, culpar outros, medo de brilhar, ressentimentos antigos. Em realidade de cada vez que fazemos auto-sabotagem estamos a violar-nos. E tudo isto porque há aspectos de nós que preferíamos não existissem, e há aspectos que temos medo de mostrar ao mundo com receio das críticas alheias.

Vamos então começar a fazer as pazes connosco, com os aspectos que gostamos e apreciamos e também com todos aqueles aspectos que andamos a rejeitar, a negar e a fingir que não existem.

Para mim, um dos maiores milagres da natureza que adoro observar, regra geral na televisão, é a transformação de uma larva em borboleta. É apaixonante ver a larva fechada no seu casulo, como que a tirar um tempo de isolamento para melhor se preparar para ser admirada pela sua beleza. É como se a larva soubesse de antemão que um dia irá tornar-se bela, majestosa, mas tem que antes preparar-se para não ser atraiçoada pelo seu próprio brilho. Mas o que acontece dentro do casulo é simplesmente inacreditável! O sistema imunitário da larva destrói o próprio corpo para poder dali sair uma borboleta! Antes de ser borboleta o ser vivo tem que passar por uma transformação que é muito provável lhe cause imensa dor. Mas mesmo sabendo que irá passar pela dor de sentir o seu corpo desfazer-se, a futura borboleta sabe que é para o seu bem.

Nós temos que passar por um processo idêntico, em que em vez do corpo precisar de produzir anticorpos que o destruam, cria a necessidade de neuropeptídeos específicos para sair do casulo da mediocridade e brilhar! Nós precisamos dos químicos que o nosso corpo produz quando nos perdoamos a nós mesmos. Só depois é que podemos brilhar!

A forma como cada um de nós faz o seu processo do auto-perdão pode variar. O meu conselho é simples: se a pessoa que sentes teres magoado é viva e a consegues contactar, contacta-a. Pede desculpa. Pergunta-lhe o que podes fazer para dissolver qualquer mágoa que a pessoa sinta em relação às tuas acções. Se a pessoa já partiu, ou se não a consegues contactar, pergunta à tua alma de que maneira podes conseguir esse perdão. Se o acto que cometeste foi roubar, tens mesmo que devolver exactamente aquilo que tiraste! Se foi uma mentira, tens mesmo que repor a verdade! Se te deixaste enganar, tens mesmo que ir ter com a pessoa e dizer da tua justiça! O que é pedido nesta lição é que reponhas a verdade, restabeleças a tua integridade. Só assim podes começar a prestar atenção, e evitar, os comportamentos auto-sabotadores.

O problema maior com a integridade é que esta está pré-estabelecida nos nossos circuitos neuronais, faz parte de quem somos. E de cada vez que a violamos estamos a violar-nos a nós. Tens que começar a agradar à única pessoa que consegues verdadeiramente agradar: tu mesmo! Mas isto só é possível quando nos perdoamos por tudo o que fizemos no passado. Enquanto não o fizermos iremos andar sempre com uma falta de energia que não somos capazes de explicar. É a energia da nossa integridade.

Se possível ainda hoje, faz uma lista das pessoas a quem tens que pedir desculpa. Mas faz mesmo! Não deixes para amanhã, ou para quando estiveres a enfrentar a morte nos olhos! Se soubesses que só tinhas uma hora de vida, a quem é que pedirias desculpa? Com quem ainda tens situações por resolver? Onde é que a tua alma está a pedir integridade?

Este é um assunto demasiado importante para deixar para amanhã. Não peças desculpa a partir do coitadinho da tua história, da vítima. Pede desculpa no esplendor de quem és. Assume a tua humanidade total. Com a cabeça erguida, com a voz segura, olhando a outra pessoa nos olhos, diz que precisas do seu perdão para prosseguir. Diz que erraste e queres resolver a situação por ti criada de uma vez por todas.

Também importante é ver as muitas maneiras que utilizamos para violarmos a nossa integridade. De cada vez que não nos respeitamos, de cada vez que ignoramos a voz da nossa intuição, estamos a violar-nos. E violamo-nos diariamente. Fingimos que estamos bem porque temos medo de pedir aquilo que precisamos. Violamo-nos quando estamos com pessoas com quem não queremos estar. Violamo-nos quando vamos todos os dias para um trabalho onde não sentimos alegria nem utilizamos a nossa criatividade. Violamo-nos quando somos pagos para fazer vinte e apenas conseguimos fazer dez.

Perdoar-nos por tudo isto é um momento em que escolhemos honrar quem somos, a totalidade que somos. Temos que nos perdoar pelo mal que fizemos a outros e também perdoarmo-nos pelo mal que fizemos a nós mesmos.

Proposta de trabalho

O trabalho que proponho para hoje é precisamente escrever todos os comportamentos, hábitos, pensamentos e emoções que utilizas para fazer auto-sabotagem. Torna-te consciente destes padrões. Irás descobrir que são praticamente idênticos aos padrões a que recorres para permanecer dentro da tua história de coitadinho. Depois escreve o que estás disposto a mudar. Deixo-te o meu exemplo:

Pensamentos, comportamentos, hábitos e emoções de auto-sabotagem

O que me permito mudar a partir de hoje

- Jogar “Zuma” no computador

- Passar a jogar uma hora por semana

- Preocupar-me com o que os outros podem pensar de mim

- Todas as pessoas julgam todas as pessoas, e eu não posso mudar isso

- Dizer coisas simpáticas para agradar aos outros

- Falar a minha verdade se me for pedido

- Queixar-me sobre o comportamento dos outros

- Nunca poderei mudar o comportamento dos outros, mais fácil aceitar cada pessoa como é.

Dica de Apoio

Quando descobrimos as muitas maneiras que utilizamos para nos violarmos e auto-sabotar é normal sentirmos uma tristeza invadir-nos. Podes transformar essa tristeza em compaixão: por teres a coragem de olhar para ti mesmo sem mentiras nem negações. E assumir que tudo faz parte do teu processo evolutivo. Nos próximos dias procura em ti o sentimento profundo de bem-estar com a vida por te permitires mudar aos poucos.

Bom trabalho!

(Este é um extracto de uma das lições contidas no curso online "A minha sombra - como dissolver o auto-sabotador)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Relacionamentos vergonhosos

Praticamente todas as pessoas cresceram num ambiente de vergonha. O sentimento de vergonha numa criança é avassalador. Ao ser julgado, criticada, castigada, a criança aprende que não é merecedora de ser autêntica, de ser quem é de verdade. O seu Dom é abafado e remetido para um recanto do inconsciente. Mais tarde, como adulto, irá criar laços afectivos que mostram o quanto se sente inadequado ou imperfeito. Ao fazer isto estará, inconscientemente a apontar o dedo a quem, na infância, a envergonhou e a afirmar "tu comigo erraste". Ao mesmo tempo irá tornar-se o juíz e carrasco de si mesmo, não se permitindo viver uma vida espontânea em que cada emoção é expressa de maneira apropriada.

Abaixo ficam algumas das características de qualquer relacionamento baseado na vergonha.

1. - Perdemo-nos completamente no amor do outro;

2. - Quando discutimos é como se estivéssemos a lutar pela própria vida;

3. - Gastamos imensa energia a adivinhar o que os outros pensam. Perguntamo-nos a nós mesmos o que a outra pessoa estará a pensar ou sentir, em vez de perguntar directamente à pessoa amada;

4. - Sai-nos muito caro o preço pago pelos poucos bons momentos da relação;

5. - Quando damos início à relação é como se assinássemos dois contractos, um consciente e outro inconsciente (este último garante que iremos sofrer);

6. - Culpamos a outra pessoa e culpamo-nos a nós mesmos;

7. - Desejamos a separação e quando acontece queremos a outra pessoa de volta;

8. - Sabemos que a dinâmica da relação irá mudar, mas queremos que se mantenha inalterada até ao fim;

9. - Sentimos com frequência que a outra pessoa controla o nosso comportamento;

10. - Sentimos uma atracção irresistível pelas qualidades positivas que vemos na outra pessoa e que há muito rejeitámos em nós;

11. - Com frequência dedicamo-nos a fantasias que não envolvem a outra pessoa;

12. - Procuramos o amor incondicional da outra pessoa que não conseguimos obter quando ainda crianças.

Uma das formas de curar este sentimento de vergonha é regressar à infância. Analisar com cuidado cada experiência em que nos foi dito que não podíamos, ou não merecíamos, ou não seríamos capazes, ou não devíamos. Observar cada situação e re-interpretar com uma observação que nos dê poder, em vez de no-lo roubar.

terça-feira, 23 de março de 2010

Fingimento Puro

Tu estás a fingir. Eu estou a fingir. Todos aqui, neste glorioso planeta, estamos a fingir. Todos usamos um disfarce.

Mostras uma cara mas sentes outra. Projectas auto-estima, o melhor que és capaz, mas por dentro sentes insegurança e receio.

Mentes a ti mesmo dizendo que está tudo sob controle mas a tua mente corre velozmente em pânico, como um pássaro preso numa gaiola.

Comportas-te como um adulto, mas por dentro sentes-te uma criança brincalhona e endiabrada.

Gostarias de pensar que tudo faz sentido e tens a vida organizada, mas carregas ás costas culpa e vergonha suficientes para construir um palácio (que está há muito erguido no teu interior).

Caminhas de cabeça erguida, mas por dentro sentes vergonha de quem és.

Sorris com coragem, mas por dentro tremes com medo e tristeza.

Mostras um certo desinteresse pelo banal, mas por dentro anseias por mais.

É tudo falso – máscara encima de outra máscara, a esconder ainda outra máscara.

É isto que estás a fazer.

É isto que eu estou a fazer.

É isto que todos estamos a fazer.

E não há qualquer problema. É assim que jogamos este jogo a que chamamos vida.

O que quer que seja que estejas a mostrar ao mundo esconde um outro mundo que é o seu oposto exacto. E esse mundo esconde um outro mundo, que é o seu oposto, e assim por diante. Camada encima de camada de interpretações encima de interpretações.

Todavia, por detrás de todas as máscaras e de todas as camadas, nu, para além de qualquer disfarce, há o Eu Autêntico. E este Eu é o que alguns chamam de Tao, ou Universo, ou Deus, ou Chi, ou Qi ou Prana. Independentemente do que lhe queiras chamar, é algo indescritível, inatingível, misterioso. Seja como for, no mais íntimo de quem és, tu sabes isto. Tu sabes que és muito, muito mais que qualquer coisa que penses sobre ti.

Quando conseguires atingir a totalidade que és, a tua pureza divina, todas as pretensões caem por terra. A vida continua – nunca pára – mas tu consegues ver o jogo, como se estivesses a ver um filme. Desfrutas do enredo, da acção, mas sabes que é um filme. Sabes que o teu Eu Autêntico está a desfrutar de uma aventura limitada. Sabes que está a correr os riscos que está preparado para correr.

E quanto mais consciente estiveres do teu Eu Autêntico menos o jogo te perturba e menos ainda ofusca o processo de manifestares aquilo que queres. Ao conseguires ver para além de todas as pretensões do ego, para além de tudo o que sentes, para além de tudo o que queres, irá permitir-te ver-te no brilho verdadeiro da tua alma. E como bónus, irá permitir-te ver o brilho na alma de cada pessoa com quem entras em contacto. E irás saber o que cada ser humano sente, pensa e deseja.

Sabes o que é que cada um procura?

Amor.

É isso que nós somos, o que nos leva a fazer o que fazemos e a desejar o que desejamos. Amor. Tao. Vida. Chi. Prana. O sumo da Vida. A harmonia perfeita e absoluta. Sem limites, infinita.

O que todos procuram e não encontram porque se encontram enredados no jogo da vida.

O Amor manifesta-se de muitas formas. Em realidade, manifesta-se de tantas maneiras quantas possas imaginar. Porque tudo é amor. Quanto mais Amor é expresso mais belo se torna. E expressa-se em qualquer forma: mineral, vegetal, animal e até na forma humana.

O Amor é Pureza. A Pureza é Amor. E estas palavras são apenas palavras.

Ao abraçares a totalidade que és saberás o que é Amor. Sem julgar outros. Sem precisar de criticar ou queixar. Simples Pureza de Ser.