segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Amor é Tudo

A maior parte das pessoas, quando fala de amor refere-se a um conceito criado pelo ego. O amor entre pais e filhos, o amor pelo trabalho, o amor pelo dia de sol. E mantêm assim a separação, ou a ilusão da separação. Ainda não conseguem sentir que Tudo é Amor. Uma formiga não é menos amor que a minha perna direita. Um soldado que dispara a metralhadora não é menos amor que uma bênção de um líder religioso.

Outra coisa interessante sobre o amor é que não se consegue ensinar, apenas experienciá-lo.

Por vezes estou com pessoas, ou só a saborear uma torrada amorosa, e sou invadido por orgasmos intensos de suprema felicidade. A Vida experiencia-se através de mim. Não escolho nada. A Vida fá-lo na perfeição.

Não escolho respirar, nem escolho quais os dedos que pegam na torrada. Nem escolho a pessoa que está à minha frente. Amoroso.

E descubro que não há morte. A Vida amorosamente a experienciar-se num ciclo interminável.

Estou a ouvir música e não fui eu quem a escolheu ouvir. E é deliciosa.

E depois de mais de quarenta anos a querer descobrir os “porquês” da vida delicio-me nos “porques”. A resposta a tudo é “porque sim”. Delicioso.

Porque há nações em guerra? Porque sim. Não tenho uma opinião formada quando me encontro assim. Deliciado com a Vida tal como é.

O meu assistente filtra os meus emails. Ele diz que é para me poupar tempo. Delicioso. Não tive que decidir isso. A minha amiga Augusta convida-me para jantar. Também não tive que decidir ir. Se me convidou é porque era para ir. E o jantar é uma salada de tomate e abacate e uns bifes com arroz de ervilhas. Como muita pouca carne, mas se está à minha frente num prato, é óbvio que é para comer. Como bastante salada. Tudo delicioso.

A mãe do querido Rui caiu e tem um golpe na cabeça. Ela não escolheu cair. Nem escolheu o golpe. A Vida escolheu por ela. Delicioso. O golpe foi perfeito, no local perfeito da sua cabeça perfeita. E o sangue que saía também era perfeito. E como é que sei que era eu quem devia cuidar do ferimento? A Augusta pediu-me.

E cada movimento, cada gesto, cada palavra, brotam da Vida através de mim. Sem luta. De braços abertos.

Como é que eu sei que devias ler isto? Estás a ler.

Deveria estar preocupado com o dia de amanhã? Que inutilidade. Amanhã não existe. Ainda.

Mas neste momento a Vida experiencia-se através de mim na totalidade. A sensação de enfartamento que sinto no estômago é perfeita. Manifesta-se com precisão tal como deveria ser. Como sei que deveria sentir-me enfartado? É assim que me sinto.

Entretanto ouço uma voz na minha cabeça que me diz que estou com sono e que quero dormir. Delicioso.

A Vida é sempre tão carinhosa. Tenho que viajar até um passado que já não existe ou um futuro que também não existe para conseguir sofrer.

Só há amor.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Vivemos num mundo onde a razão é esquizofrénica.

Fomos educados a acreditar que é responsabilidade dos outros respeitar-nos, apreciar-nos e amar-nos.

E depois carregamos ás costas o estandarte do mártir. E queixamo-nos.

A nossa vida é feita de muitas histórias, todas elas recicladas. As histórias que contamos a nós mesmos mil vezes ao dia, e que se têm repetido ao longo de milhares de anos, soam a isto:

- tu devias amar-me;

- o meu patrão devia reconhecer o meu trabalho;

- o meu filho devia ser um bom estudante;

- eu preciso de mais dinheiro;

- eu quero um trabalho seguro;

- tu não deverias falar mal de mim;

- eu preciso que os meus amigos me respeitem;

- as pessoas deveriam ser simpáticas;

- os governantes precisam de olhar pelo seu povo;

- o meu corpo devia ter uns quilos a menos;

- etc. etc. etc...

Todos os “deveria”, “preciso” e “quero” que contamos a nós próprios são histórias em perfeita confrontação com a realidade.

As histórias que contamos a nós próprios, e que nos fazem sofrer, colocam sempre o poder das nossas vidas nas mãos de outros. E enquanto o poder das nossas vidas estiver nas mãos dos outros só podemos experienciar a impotência, a angústia e ansiedade de não saber o que irá acontecer a seguir. Vivemos no presente com a mente num eterno futuro que nunca acontece. O futuro é agora. E agora. E agora.

Eu conto uma história sobre o meu pai. Nessa história o meu pai deveria ter-me respeitado, amado e reconhecido o meu valor. De acordo com os meus padrões, é claro.

E de cada vez que vejo o meu pai lembro-me da minha história sobre quem ele é e quem deveria ser. E sofro.

No lugar de pai, sente-te livre para colocar marido, pais, alunos, governos, vizinhos, amigos, colegas ou amante.

Quando te amo e espero que me ames de volta não estou a ser íntegro. Isto é tudo menos amor. Em realidade é cobrar um preço pelo que chamo de amor.

E se eu não acreditasse nas minhas histórias? Se não fosse possível acreditar que tu deverias ser diferente de quem és?

Eu sei que todo o mundo me ama. Mais de sete mil milhões de pessoas amam-me. Só que é provável que muitas ainda não estejam conscientes desse amor. Mas isso não me impede de amar cada ser humano tal como é, sem querer que seja diferente.

Se é assim tão fácil amar-te, respeitar-te, ou valorizar-te, poderias começar por dar-nos o exemplo? Poderias começar a amar-te sem esperar nada de volta? Poderias começar a respeitar-te, sem qualquer exigência? Poderias começar a valorizar o simples facto de existires?

Enquanto precisar que outros me valorizem, amem ou respeitem, irei viver sempre num inferno. Irei estar sempre à defesa. Sempre à espera da próxima agressão, ainda que inconsciente de que o faço.

Ouço professores que se queixam de alunos desobedientes e barulhentos. E não conseguem ver as mil e uma maneiras que eles próprios não se obedecem nem ouvem o ruído infernal nas suas cabeças. Os alunos apenas lhes mostram o que andam a fazer, inconscientemente.

Ouço pais a queixarem-se dos filhos que não estudam. E quando lhes pergunto se gostam de estudar, e o que andam a estudar, olham para mim como se lhes tivesse perguntado sobre a possibilidade da existência de vida em Neptuno. Se estudar é assim tão divertido e excitante, poderiam os pais ser o exemplo para os filhos?

Ouço mulheres a queixarem-se que os maridos não lhes dão carinho. E quando lhes pergunto quando foi a última vez que deram um carinho ao marido, sem esperar nada em troca, olham-me como se tivesse proferido uma heresia.

Queres mais amor na tua vida? É fácil. Dá a ti mesmo esse amor. Mostra-nos que é fácil amar-te, amando todos à tua volta, especialmente de acordo com os teus padrões (e isso inclui-te primeiro a ti como aquele que ama). Isso é amor.

Queres mais respeito na tua vida? Dá o exemplo. Começa por te respeitar a ti mesmo. Deixa de te preocupar com o que os outros possam dizer de ti, deixa de fazer fretes, e, por favor, pára de falar mal das pessoas que não estão presentes. Isso é respeito.

Queres que os outros reconheçam o teu trabalho? Que tal começares por te valorizar a ti mesmo? Onde tens valor? Não precisas que os outros digam que és bom, só tu podes fazer isso.

Enquanto tivermos uma história sobre como a vida deveria ser, como os outros deveriam ser, iremos criar um inferno nas nossas vidas.

A realidade é sempre carinhosa. Mostra-nos sem qualquer decepção aquilo que é. E nós acreditamos que somos Deus, e exigimos que a realidade mude e seja diferente daquilo que é, para podermos estar bem. Um horror. Uma história, incompatível com aquilo que é.

E as perguntas que me fazem são sempre as mesmas: mas não deveríamos querer um mundo sem guerra, um mundo de amor e compreensão?

Claro que sim. E se é assim tão fácil estar continuamente em paz e a amar tudo e todos, poderias começar por dar-nos o exemplo? Em vez de exigir que os outros mudem, poderias mudar tu? Tu és o nosso professor. Através do teu exemplo.

Começa a resgatar o teu poder. De cada vez que te ouvires a pensar “ela deveria amar-me” inverte o pensamento: eu deveria amar-me. E ama-te, sem impor condições ao teu amor. E de cada vez que te ouvires a pensar “eles deveriam estar sossegados” inverte para: eu deveria estar mais sossegado (sobretudo na minha cabeça). É sempre de ti que se trata.

A realidade é carinhosa. Ama-nos incondicionalmente. Mostra-nos sempre aquilo que é, sem histórias nem segundas intenções.

A única história real é esta: tudo o que vês em mim está já em ti.

Por este motivo digo que sempre que me sinto mal é porque estou a acreditar num pensamento que é mentira. Uma história falsa.

Pondera.

domingo, 31 de outubro de 2010

Os monstros dentro de mim

O “Dia Das Bruxas” poderia ser uma oportunidade de aprendermos sobre os monstros que ensombram as nossas vidas.

Monstros reais que destroem a nossa auto-estima, os nossos relacionamentos, a nossa saúde, as nossas finanças, e a própria vida.

Estes monstros vivem dentro de nós, no nosso subconsciente. E aterrorizam-nos todos os dias.

São muitos os monstros: Inveja, Ódio, Mentira, Vergonha, Raiva, Desonestidade, Impotência, Impaciência, Arrogância, Hipocrisia, Bisbilhotice, Infidelidade, Ciúme, etc.

São os mesmos monstros que atormentam os nossos pais. E antes deles, os nossos avós. E podemos recuar até aos primórdios da humanidade. Estes monstros começaram a surgir um pouco antes do primeiro medo: a morte.

E tentamos apaziguar estes monstros através de rituais também subconscientes. Desde abusar da comida, das drogas, álcool, medicação, adultério, sexo, vício das compras, hipocondria, relacionamentos disfuncionais, etc.

E se não fizermos as pazes com os monstros que habitam dentro de nós, eventualmente eles irão vingar-se. Sabem que não os amamos. Ninguém nos ensinou como expressar de maneira saudável cada um deles. E não é por acaso que o número de pessoas a depender de ansiolíticos, antidepressivos, álcool, pornografia, desiquilibrios alimentares, etc., aumenta exponencialmente. Os monstros estão a controlar-nos e nós continuamos a acreditar que o mal está fora de nós.

Quais são os monstros escondidos no teu subconsciente? E como tornar consciente algo que se esconde no subconsciente?

Através de um fenómeno bastante aprofundado por Jung, chamado “projecção”. Iremos projectar sempre os monstros que habitam no nosso subconsciente. Só assim podemos tornar-nos conscientes da sua existência e fazer as pazes com cada um.

O monstro que mais danos te causa é fácil de reconhecer. Pensa na tua melhor qualidade. Pode ser o afecto, a honestidade, a alegria, a compaixão, a coragem, ou mesmo a pontualidade. Qual é a tua melhor qualidade?

E agora qual é o oposto dessa qualidade?.... E quantas pessoas conheces com esta qualidade negativa? É este o monstro-mor, aquele que mais danos te irá causar.

Se te consideras uma pessoa honesta, irás atrair pessoas desonestas que se aproveitarão de ti. Se te consideras extremamente fiel, só conseguirás ter relacionamentos íntimos com pessoas que te irão atraiçoar. Se acreditas que és alguém sincero, viverás com pessoas que mentem com a maior das naturalidades.

É este o poder do monstro-mor dentro de ti. Eventualmente irá levar-te a fazer aquilo que condenas nos outros. Naquelas situações em que pensas “não sei onde tinha a cabeça”!

É que os nossos monstros interiores levam-nos sempre a fazer precisamente aquilo que mais detestamos nos outros. Não há excepções.

As boas noticias. Cada um destes monstros existe para nos ajudar a sermos os seres humanos completos que somos. Se aprendermos a amá-los e vê-los como ajudas excepcionais que são.

A Inveja, por exemplo, quando expressa de maneira saudável, levar-te-á a ir mais longe. Sem necessidade de deitar abaixo quem quer que seja.

A Burrice, pode levar-te a evitar uma transacção em que irias perder algo de valioso, como o teu tempo ou dinheiro.

A Arrogância saudável irá dar-te a auto-estima que precisas para pedir o que precisas, sem forçar a tua vontade.

A Impotência pode mostrar-te de maneira carinhosa que não é função tua controlar o que os outros pensam ou fazem, e libertar-te de preocupações desnecessárias.

Observa as pessoas à tua volta. Cada qualidade negativa que vejas nos outros e repudies podes ter a certeza que é um monstro dentro de ti. Faz as pazes com ele. E ele irá oferecer-te a paz. Cem por cento das vezes.

Qual o monstro que queres abraçar hoje? Eu escolhi abraçar o incompetente. É uma parte de mim muito querida, e que me sussurra que não preciso de ter todas as respostas. Amo-o.

Descobre os teus monstros, ama-os e aprende com eles. São a porta para uma vida de amor, paz e tranquilidade.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Receber está no Dar

Descubro que um dos principais motivos porque a humanidade sofre deve-se a nunca se ter observado sem expectativas.

Acreditamos que os outros nos devem algo. E sofremos.

Acredito que os meus pais deveriam amar-me mais, e sofro. Acredito que não deveria haver uma crise, e sofro. Acredito que os meus amigos deveriam ser simpáticos, e sofro. Acredito que Deus deveria fazer as coisas “à minha maneira”, e sofro.

Os meus pais amaram-me sempre. Não como eu queria, mas como foram capazes. Quando é que eu decidi tornar-me ditador? “Agora vão amar-me à minha maneira, caso contrário não serão dignos do meu amor!” – consegues ouvir a arrogância? E se é assim tão fácil para os meus pais amarem-me como eu quero, poderia eu ser o exemplo e amá-los como eles querem?

O nosso sofrimento é feito de pensamentos por questionar. Mas só 100% das vezes. Olhamos para a realidade e decidimos que deveria ser diferente. Diferente de acordo com os padrões de quem? Ah, dos meus! Eu sei o que é melhor para o mundo, e se todos fizeram o que eu digo, iremos ser todos felizes. Consegues ouvir a arrogância? Se é assim tão fácil ser feliz, poderias dar o exemplo? Mostra-nos como é, e não exijas nada em retorno.

Os pensamentos que nos fazem sofrer são crenças que nunca questionámos.

Os políticos deveriam ser honestos e olhar pelo povo. – Desde quando?
Os pais deveriam amar os filhos incondicionalmente. – Desde quando?
Os funcionários públicos deveriam ser atenciosos e simpáticos. – Desde quando?

Se é assim tão fácil ser simpático, poderias mostrar-me isso num dia em que só consigo ser antipático? Se é assim tão fácil ser honesto e olhar pelos outros, poderias mostrar-me isso dando sem esperar um retorno e parar de fingir? Se amar incondicionalmente é assim tão fácil, poderias amar o familiar que te caluniou? Mostra-me que és capaz de fazer aquilo que esperas de mim.

Observo que muitas pessoas ainda não aprenderam a receber. Dão algo e ficam à espera do retorno. E sofrem.

Quando te dou um abraço, eu recebo no momento em que te dou o abraço. Se tu decidires não devolver esse abraço, mesmo que decidas afastar-te, nada podes fazer em relação ao que eu recebi já de ti: o abraço que te dei. Recebi o que tinha a receber no momento em que te dei. Mas se um ano mais tarde passar por ti na rua e tu não falares comigo, e eu acreditar que um dia te dei um abraço e agora é assim que me tratas, estarei a mentir e a sofrer.

Eu amo-te. E recebo o amor que te dou no preciso momento em que o dou. Se tu decidires amar-me de volta ou não é irrelevante. Mas se eu te amo e fico à espera que me ames de volta, o que é que te dei a ti? Um presente envenenado. Um amor com uma etiqueta com preço.

Ontem estive com um homem destroçado. A esposa tinha-o abandonado. No mesmo mês, o seu melhor amigo morreu e não teve tempo de lhe devolver cinquenta mil euros que lhe tinha emprestado. E foi diagnosticado com um tumor no pâncreas.

Sentei-me ao lado dele a ouvir a sua história. Não o avisei de que eu sou um homem sem futuro. Sem objectivos nem expectativas. A vida sabe sempre o que é melhor para mim. Naquele momento o melhor para mim era ouvir um homem a queixar-se da vida. Delicioso. Fiz-lhe algumas perguntas. Mas fi-las a partir do coração. Não era minha intenção magoar o seu ego, nem interrogá-lo para o colocar no seu lugar. Fi-lo porque o sofrimento dele era o meu sofrimento: confusão mental.

Escolhes quem queres amar? E poderias ponderar a possibilidade de a tua ex-esposa ter o mesmo direito? Tu escolheste amar a tua ex-esposa, ela escolheu amar outro homem. Perfeito. Mas se enquanto a amaste esperavas um retorno, então nunca a amaste. Cobraste. Quanto é que custou o amor que lhe deste? Observa o teu sofrimento por ela amar outro. É esse o preço.

Emprestaste cinquenta mil euros a um amigo que agora está morto. Tens a certeza que emprestaste? É que o que eu observo é que tu lhe deste esse dinheiro. Como sei isso? Deste-o. No momento em que lhe deste o dinheiro, em que tinhas a disponibilidade financeira para o ajudar, como é que te sentiste? É bom saber que na altura te sentiste capaz, útil, amoroso, generoso. Ok, já recebeste. Ao dar o dinheiro recebeste algo de muito mais valioso: o amor que tens por ti. Mas enquanto acreditares que esse dinheiro era teu e tinha que voltar a ti, irás sofrer. E não serás capaz de amar o teu amigo que partiu. E não serás capaz de sentir o amor da vida para contigo. E não serás capaz de te amar. Dói.

Começas a compreender porque tens um cancro no pâncreas? Começas a ver o quanto estás à espera que os outros te amem? Se é assim tão fácil para os outros amarem-te, podes começar a dar o exemplo? Poderias começar a amar-te a ti mesmo?

Eu sei que recebo sempre da vida no momento em que dou. Quando odeio um politico, recebo de volta o ódio. Quem é que sente o ódio? Eu. Nunca se tratou dos outros, mas de mim.

Ofereci a uma querida amiga um curso de massagens. E recebi no momento em que o ofereci. O prazer de dar. Delicioso. Sem preço. Mas se um dia esta minha querida amiga se afastar, teria a coragem de cobrar-lhe a oferta? Nunca. Já recebi.

Proponho-te uma tarefa herculeana para as próximas quatro semanas: descobrir-te.

Acredito que na vida só há três tipos de negócios: os meus, os dos outros e os de Deus. Quando preciso que me ames, estou envolvido nos teus negócios. Quem tu amas é um negócio teu. Quando me preocupo com o estado de saúde do meu corpo estou nos negócios de Deus. Cuido do meu corpo, mas o seu estado não é um negócio meu. E quem é que se encontra a gerir os meus negócios quando eu estou envolvido nos teus ou nos de Deus? Ninguém.

O nosso maior medo é perder o controlo sobre as nossas vidas. Um pesadelo. Desde quando é que controlas o teu corpo? Sabes quais os químicos a produzir no cérebro para poderes respirar? Sabes quais os músculos que tens que contrair e relaxar, em perfeita sintonia, para respirares? E mesmo que saibas, quantas vezes ao dia é que dás ordens ao teu corpo para respirar? Nunca. O mesmo pode ser dito para qualquer parte do teu corpo. Acreditas mesmo que és tu quem anda? O que acontece quando as tuas pernas não andarem? Sofres. Tu não andas, és andado. As tuas pernas mexem-se sem que tu tenhas qualquer intervenção. Observa-te.
Acreditas que controlas as tuas finanças? Desde quando? Um minuto tens um bom emprego e és bem pago. No minuto seguinte estás desempregado e a viver na rua.

Mas a crença, mentira, de que tens controlo sobre a vida é a causa de todo o teu sofrimento. Em realidade passas a maior parte da tua vida envolvido nos negócios dos outros. Como os outros deveriam ser, como deveriam comportar-se, como deveriam amar-te. E ninguém para gerir os teus negócios. Os teus negócios são os pensamentos que surgem na tua mente. Questiona-os. Descobre a verdade.

Eu descobri que sempre que tenho um pensamento que é uma mentira, sofro. E quando tenho um pensamento que é verdade, fico em paz. Neste momento surge o pensamento “Odeio a chuva” e está a chover. Como sei que este pensamento é uma mentira? Está a chover. E eu estou à chuva. É óbvio que gosto da chuva, caso contrário ficaria em casa.

Então, meu querido amigo, nas próximas quatro semanas observa as vezes que te envolves nos negócios dos outros. Sempre que surgir um pensamento com um “deveria/não deveria” ou “preciso/não preciso” ou “tenho que/não tenho que” sei que estou nos negócios dos outros ou nos de Deus. Da próxima vez que pensares “A minha esposa deveria amar-me” poderias apenas observar-te a mentir? A tua esposa ama quem ela quer. Poderias amá-la a ela sem impor um retorno? Garanto-te que te sentirás muito melhor.

Escreve onde andas em conflito com a realidade. E descobre a verdade. A verdade é aquilo que é, e é sempre deliciosa.

Há algum tempo estava com o pai de um amigo meu, a conversarmos. De repente o homem pareceu estar a ter um AVC. A boca dele ficou torcida para um lado, os olhos em pânico. Ele olhou para mim, aterrado. E eu fiquei pasmado, quase em êxtase. Estava a ter a oportunidade de observar alguém a ter um AVC! Fiquei parado a observar, envolvido na experiência, a saborear cada momento. A dada altura o homem disse-me, em pânico e revoltado, “Não vai fazer nada, pois não?!” E eu disse-lhe a verdade: “não.”. Não havia necessidade de fazer nada porque não havia nada a fazer. Ele continuou a olhar para mim, enfurecido. E depois começou a rir-se. E eu ri-me com ele. E rimo-nos mais. E a sua cara voltou ao normal. E ambos descobrimos que tudo passa, até um AVC.

Mas poderias ser tu o nosso exemplo? Poderias tu começar a estar grato por receber no momento em que dás? Sem cobrar nada de volta? Experimenta. A minha experiência ensinou-me que é delicioso.

Bem-vindo a casa.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Crise Mental

Para muitos de nós a vida é controlada pelos nossos pensamentos relacionados com o trabalho e o dinheiro. Mas se os nossos pensamentos forem claros, como é que o trabalho ou o dinheiro podem ser um problema? Tudo o que precisamos de mudar são os nossos pensamentos. Em realidade os nossos pensamentos é tudo o que podemos mudar. E isto é o que há de bom na nossa vida.

Dá a ti mesmo um momento para desistir de ter razão e suspende tudo aquilo em que acreditas relacionado com trabalho e dinheiro. Suspende as tuas crenças por alguns minutos.

Tu queres dinheiro porque te ensinaram que precisas dele para comprar a tua felicidade. Mas apenas podes encontrar a felicidade dentro de ti, nos teus pensamentos. Ao questionares a tua vida irás descobrir que o dinheiro não é assim tão importante. Deixas de te identificar com a quantidade de dinheiro presente na tua vida, desligas-te da necessidade de ter dinheiro. E quando te desligares desta necessidade o dinheiro só pode aparecer na tua vida. É uma das leis incontornáveis da vida.

Muitas pessoas acreditam que o medo e o stress é o que lhes trará dinheiro. Porque outro motivo andariam tão stressadas? Medo de perder o emprego, medo de ficar sem sustento, medo de ser abandonado. O medo impulsiona tudo o que fazem. E garantem assim o seu sofrimento.

Mas será verdade que precisas de dinheiro? Quem é que serias sem dinheiro? Quem é que serias sem o teu trabalho? Estas são questões que podem assustar, mas que nos libertam do medo.

Quem é que tu serias se nunca acreditasses que precisas de um trabalho e de dinheiro?

O teu trabalho nesta realidade é só um: utilizar o teu emprego para julgar, criticar, investigar e conhecer-te. O teu emprego primário é só um: estar grato por quem tu és.

Acredito que nesta vida só há três tipos de assuntos: os meus, os dos outros e os de Deus. O dinheiro é um assunto de Deus e dos outros. Os meus pensamentos são um assunto meu. Isto é realidade. Se acreditas que controlas o teu salário ou o teu emprego, irás criar stress. O stress surge sempre a partir de um pensamento que é mentira. Será que ainda não conseguiste ver que não tens qualquer controlo sobre os teus rendimentos? Mas podes controlar os teus pensamentos. Questionando-os.

Tu podes acreditar que a tua vida seria muito melhor se tivesses um carro novo, ou um vestido novo, ou uma casa nova, ou um curso novo. Acreditas nisto porque te colas à ideia de uma história. O que diria a tua história se tivesses mais dinheiro? Que não és um falhado? Que sabes providenciar para a tua família? O que quer que seja que tenhas irá significar coisas diferentes para cada ser humano, dependendo da sua história. Tu vais na rua, a conduzir um Ferrari e alguém pensa “Uau! Que carro!”, enquanto outra pessoa pensa “Exibicionista! Quem andará a roubar?” e outra pessoa ainda irá pensar “Ganhou o euromilhões!” – cada pessoa irá pensar de acordo com a sua história. Mas qual é a tua história? Um carro é um carro.

O problema surge quando nos agarramos ao significado de algo. Conceitos.

Nós não ficamos agarrados a coisas, mas aos pensamentos acerca das coisas. Eu agarro-me à história do meu carro. “É bonito. Leva-me para o trabalho.” “É velho e está acabado.” “Sinto-me uma estrela no meu carro.” “O que pensarão os meus pais quando me virem neste carro?” Mas sem uma história, um carro é um carro. E posso ir para o trabalho no carro, no autocarro ou a pé. Não deixo de ser quem sou por causa do carro. A realidade é que podes ter um carro, entras nele e conduzes até ao trabalho. Ou não tens um carro e entras num autocarro para ir ao trabalho. A mentira está na história que contamos acerca do carro e do que significa para nós.

Muitas vezes já admirei as manhãs frias de inverno, em que os passarinhos chilreiam. Se o coração dos passarinhos pode cantar numa manhã gelada e sem alimento, poderias permitir que o teu coração cante neste momento? Claro que se tivesses mais dinheiro seria mais fácil. Mas poderias deixar o teu coração cantar sem te agarrar à história de precisar de mais dinheiro? A canção não significa que tens ou não dinheiro. Significa que estás vivo e não estás agarrado a uma história.

Quem é que tu serias se nunca acreditasses na história de que precisas mais dinheiro? Sem este pensamento, como te sentirias?

Acreditas mesmo que o dinheiro te dá mais? Nunca. Os teus pensamentos é que te dão mais.

Experimenta este exercício: escreve um pensamento que te cause stress sobre o dinheiro. Alguns exemplos: “Preciso de mais dinheiro”, “Nunca tenho dinheiro suficiente para o que preciso”, “O dinheiro é necessário para viver.” Estes são pensamentos que causam stress. Agora substitui a palavra dinheiro nesse pensamento por “tempo” ou “amor” ou “saúde” ou “amizade” ou “alegria” ou “vitalidade”... E o pensamento continuará a ser válido (pelo menos até o questionares). E tudo não passa de conceitos na mente. E quando questionados, descobrimos que são todos mentiras que contamos a nós mesmos tantas vezes que acreditamos neles.

A minha experiência ensinou-me que tenho sempre o dinheiro que preciso. Porque é o dinheiro que tenho. Nem mais um cêntimo. Nunca irei ter mais dinheiro do que aquele que tenho. Pensar que deveria ter mais é a causa de sofrimento. O carro novo? A casa nova? A relação nova? Conceitos por questionar.

Em determinada altura da minha vida vivi alguns dias debaixo de um viaduto, em Londres. Sem dinheiro. Descobri que pior do que viver na rua era acreditar que não deveria viver na rua. A realidade é que vivia na rua. O pensamento de que não deveria ser assim era a causa do meu sofrimento. Ainda estou vivo. A experiência foi má? Apenas posso dizer que poderia passar novamente pela experiência e iria sentir-me em paz.

Ao terceiro dia de viver na rua acordei a rir-me de mim. Estava louco. Descobri que estava louco ao sofrer por querer viver numa casa quando estava a viver na rua. E se estava a viver na rua era porque precisava de viver na rua. Pelo simples facto de ser essa a realidade.

Se é bom ou mau viver na rua depende apenas de certos conceitos. Por ter vivido na rua aprendi que nunca estamos sós. Descobri que há pessoas capazes de dar sem esperar receber de volta. Aprendi que não temos qualquer necessidade para além do ar que respiramos. Aprendi ainda que quando estou só e me sinto mal estou em muito má companhia.

Os nossos problemas nunca são a realidade, aquilo que está a acontecer, mas apenas acreditarmos que a realidade deveria ser diferente daquilo que é.

Se neste momento tens dificuldades financeiras aprecia o momento. O que há de belo na tua vida, neste momento? De que te estás a esquecer e que pode deixar o teu coração a cantar? Começa por cantar a realidade de que estás vivo. E de que tens um coração. E de que consegues ler estas palavras. E de que algures há alguém a pensar em ti. E que neste preciso momento tens tudo o que precisas para estar vivo. Se assim não fosse, não estarias vivo.

E à medida que permites que o teu coração cante, desiste da necessidade de ter mais dinheiro. Não imponhas os teus conceitos à realidade, garanto-te que não funciona. Se tens dificuldades financeiras é porque precisas de as ter. Há lições para ti nesta situação. Pergunta-te a ti mesmo quais os benefícios reais para ti devido a esta realidade? Observa-te. Aprende a escutar a canção do teu coração. Em vez de acreditares no que pensas estar errado, abre os braços à vida tal como se apresenta. Afirma a ti mesmo “Eu quero ter a experiência de não ter o dinheiro suficiente para viver!” – e fá-lo com integridade e honestidade. Observa o que vai acontecer nos próximos dias.

Só te posso falar da minha experiência. Nunca temos mais dinheiro do que aquele que temos. E quando nos alinhamos com a realidade, o milagre é a realidade mudar.

Já agora, onde está a crise? Queres acreditar que está fora de ti? Bem-vindo ao inferno. Mas se fores suficientemente honesto e afirmares que a crise está dentro de ti, meu Deus, as mudanças que irás observar na tua vida!

A crise está em pensamentos que negam a realidade. Pensamentos que dizem que os outros deveriam ser diferentes de quem são. Pensamentos que dizem que quando tiveres mais sentir-te-ás melhor. Pensamentos que dizem que os outros não sabem e tu sabes. Pensamentos que te causam stress. Cada pensamento que te causa stress é uma mentira. Mas só 100% das vezes.

Pega numa folha e papel e escreve cinquenta coisas boas na tua vida neste momento. Podes começar pelo teu coração que bate sem teres que pensar nele. E depois ouve o teu coração cantar. De gratidão para com a vida, tal como é em vez de como não é.