terça-feira, 3 de maio de 2011

A causa de todo o sofrimento


“Ainda que se possa fazer todos os filmes mentais possíveis e impossíveis, sempre em número ilimitado porque na mente de cada um manda o próprio, ou assim se julga, raramente, para não se dizer nunca, o filme acontece na realidade. A única sala de cinema onde passa é dentro da cabeça do visado e em mais lado nenhum.” Luís Miguel Rocha in A Mentira Sagrada (Porto Editora, 2011)
É este o motivo de todo o sofrimento. Os filmes que fazemos na nossa cabeça e que nunca correspondem à realidade.
A realidade é aquilo que acontece e, para sofrer, o ser humano tem que acreditar que não deveria acontecer. A realidade tem uma forma deliciosa de ganhar sempre.
Sofremos quando a pessoa amada é infiel (e não deveria ser, claro). Sofremos quando o filho faz uma birra (e não deveria fazer). Sofremos quando há uma guerra (e não deveria haver). Sofremos quando estamos desempregados (e não deveríamos estar). Sofremos quando estamos cansados (e não deveríamos estar). Sofremos quando alguém nos chama de estúpidos (e não deveria chamar).
Poderíamos começar a tornar-nos conscientes de algo tão simples como Aquilo Que Está A Acontecer?
A mente divide a realidade em bom e mau, certo e errado. É aqui que sofre. E se em vez de certo e errado pudesse a mente ver perfeição? A mente vê a duas cores. E normalmente as cores que consegue ver são estas: eu estou certo e tu estás errado. Puro inferno.
Aquilo Que É, É. E ganha sempre. Por mais que tu chores, grites, fiques triste, zangado, enraivecido. A Realidade não quer saber. Acontece sem a tua autorização. Pessoas gritam, o sol nasce no horizonte, uma criança nasce, lixo amontoa-se na rua, alguém morre, um foguete vai para o espaço, uma mosca cai no prato com sopa. Tudo a acontecer sem a tua autorização.
E depois acreditamos arrogantemente que não deveria ser assim. E garantimos o nosso sofrimento.
Se é tão fácil ser-se fiel, poderias tu começar a dar o exemplo? Sê fiel aos teus sonhos.
Se é assim tão fácil permanecer calmo, poderias começar tu a dar o exemplo? Mantêm-te calmo quando eu estou aos gritos no meu inferno pessoal.
Se é assim tão fácil ser-se honesto, poderias tu ser esse exemplo? Sê honesto quando te perguntam se te amas incondicionalmente tal como és.
Se é assim tão fácil sentir-se feliz e em paz, poderias dar-nos o exemplo? Poderias manter-te em paz e feliz quando eu estou triste e desiludido?
Dá-nos o exemplo que queres que nós sejamos. Mostra-nos que é fácil ser quem tu queres que nós sejamos. Assim como assim, nunca nos irás mudar. Apenas podes mudar-te a ti mesmo. Caso ainda não tenhas reparado. Esta é a doce realidade. Tão simples.
A realidade nunca é aquilo que tu acreditas que deveria ser. É muito mais simples.
É Aquilo Que É.
E tu só tens duas opções. Amar ou odiar. Paz ou sofrimento. E a realidade é tão deliciosa que respeita a tua decisão. E continuará a acontecer sem a tua autorização.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A dor dói. Mas será verdade?

Ontem quis ter a experiência da dor. Como sei que queria esta experiência? Tive-a. Poderia a vida ser mais carinhosa?

Estava a assar sardinhas na brasa e os meus dedos escolheram pegar numa brasa. Poderia dizer que me tinha enganado, e pegado numa brasa em vez da sardinha. E começaria o meu inferno pessoal. A realidade é que os meus dedos queriam pegar numa brasa, porque foi no que pegaram.

E como não largaram a brasa de imediato, soube que queria ter a experiência da dor, de uma queimadura.

Entretanto as minhas pernas mexeram-se rapidamente e levaram-me à casa de banho. Estava curioso. O que iria fazer ali? A mente observava as dores provocadas pela queimadura e questionava-se.

“Não deveria estar com dores” – ria-me.

“Não vou poder fazer massagens” – ria-me.

“O que é que vou fazer agora?” – e continuava a rir-me.

A mente tentava deliciosamente arranjar pretextos para me causar sofrimento. Não conseguia. E experienciava as diferentes nuances da queimadura. As mãos agarraram num frasquinho de óleo puro de alfazema, abriram-no e despejaram o líquido sobre a queimadura. “Ah! Então é isto que a vida quer!”

A vida continuava a fluir através de mim, sem um grama de resistência da minha parte.

Claro que a mente queria queixar-se. Queixar-se a alguém como se os outros fossem um analgésico. A mente ainda não descobriu que a queixa é completamente inútil. Sem utilidade. Se acreditasse na mente, e me queixasse, estaria louco.

A dor física é algo natural. Mas o que pude observar é que o que causa mal-estar, sofrimento, não é a dor física mas a luta que a mente trava contra essa dor. A desejar que não exista, quando está presente. A querer as coisas diferentes daquilo que são.

Depois a vida levou-me para o jardim. Os dedos latejavam. Eu observava, à procura de pensamentos que pudessem causar-me sofrimento. Veio apenas mais um: “Este latejar provoca-me muito desconforto”. E vi imediatamente que o que me provocava desconforto era o pensamento. O latejar mantinha-se independentemente de a mente querer ou não a experiência. Mas eu sabia que queria esta experiência, pelo simples facto de estar a passar por ela.

Os pássaros chilreavam, gotas de chuva caiam, o vento soprava, e os meus dedos latejavam. Mantive-me envolvido na experiência total de estar vivo.

Eventualmente o latejar desapareceu, voltou ao lugar de onde tinha vindo: nada. E sorriu. É para lá que também um dia eu irei. Delicioso.

domingo, 10 de abril de 2011

Quero ter uma conta aberta no FB. Será verdade?...

Através desta rede social tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas especiais. Todas, sem excepção, me foram úteis na descoberta de quem sou. Sinto-me privilegiado. Algumas destas pessoas já conheci ou fiquei a conhecer pessoalmente. E é delicioso poder abraçar cada uma, sentir todo o carinho delicioso que brota de cada uma, sem esperar nada em retorno.

Pela minha experiência pessoal, o FB mostrou-me, tanto como na vida real, que só conseguimos abraçar a nossa luz depois de atravessada a escuridão. Aquela escuridão que tentamos a todo o custo que ninguém consiga descobrir. Enquanto as feridas da nossa infância e adolescência não forem saradas, por mais meditações e figurinhas de luz que imaginemos, iremos continuamente projectar os aspectos rejeitados da nossa alma.

Este é o crime de todos aqueles que não gostamos: mostram-nos as nossa qualidades deserdadas, doentes e que só conseguimos aguentar porque as projectamos sobre os outros, aqueles a quem apontamos o dedo. E uma vida assim nunca pode ser fácil.

Por outro lado, descubro que ninguém tem que fazer rigorosamente nada. Ninguém tem que mudar, nem evoluir, nem ser melhor. Apenas eu. Sou a única pessoa que posso mudar. Os outros podem fazê-lo, claro, mas não faço disso uma exigência para os amar.

Descubro que cada ser humano é digno de ser amado, independentemente do que fez ou disse, ou deixou de fazer ou dizer.

Descubro que todos somos amor puro, mas muitos esquecemo-nos disso, perdemos consciência que somos amor, e procuramo-lo continuamente nos lugares errados: fora de nós.

Descubro ainda que não há nada de que me possam acusar que não seja verdade. E observo que as pessoas com quem contacto presencialmente sentem um carinho especial por mim. É o carinho, o amor, que sempre esteve dentro de cada uma. Limito-me a recordar-lhes isso. E estar presente para cada uma, sem qualquer condição, é suficiente. Descubro que na presença do amor incondicional qualquer ser humano tem a capacidade de se tornar consciente que é isso: amor incondicional.

Perdoo a todas as pessoas que me enviaram mensagens e ás quais não respondi. Há já algum tempo que desisti de as ler. Eram uma média de 30 a 40 por dia.

O FB foi ainda um teste delicioso para comprovar que de facto ninguém tem o poder suficiente para me magoar, apenas eu tenho esse poder. E sinto que o estou a perder a uma velocidade deliciosamente ideal.

Aprendi que é delicioso viver uma vida em que só desejamos que os outros sejam quem são e nunca quem gostaríamos que fossem.

Aprendi a ouvir sem a necessidade de me defender. A defesa é sempre o primeiro acto de guerra, e como diz a querida BK, todas as guerras se resolvem numa folha de papel.

Aprendi que não penso, sou pensado. E que para sofrer tenho que acreditar nos pensamentos como sendo de minha autoria. Nunca o são. Fluem. E são iguais aos do meu vizinho, do meu amigo e do meu pai. Não há pensamentos novos que causem stress emocional. São sempre os mesmos.

Sinto que estou a viver um momento de crise. Uma oportunidade única de crescimento e bem-estar. É isso que significa para mim a palavra crise. Não estou a tentar embelezar o belo nem a negar o que quer que seja. Uma crise é sempre uma oportunidade de crescimento. Se tivermos a coragem de abrir os olhos em vez de apontar o dedo.

As mudanças que observo à minha volta são muitas e muito aceleradas. Escolho o silêncio, a calma, a paz e o amor. Continuarei a escrever no meu blog, ou não. E irei continuar a enviar com alguma periodicidade a newsletter aos que estão inscritos nela, ou não. De qualquer forma, a minha caixa de correio electrónica mantém-se receptiva a qualquer email: emidiocarvalho@gmail.com . Mas por favor não me enviem emails reencaminhados (aqueles com um FWD), nunca os abro.

Escolho dedicar uma grande parte do tempo disponível à preparação da primeira Escola Residencial, com a duração de uma semana, em Julho. É um desejo do meu coração que cada pessoa que participe consiga todos os objectivos que a levarão até lá. E sei que irá acontecer.

Porque, com a ajuda do FB, descobri que na presença do amor, a realidade torna-se amorosa, deliciosa, de braços abertos, e sempre com um sorriso. A vida flui. Eu sigo este fluir. Assombrado. Deliciado. Sem histórias. Tudo e nada na perfeição.

Ah! E é verdade, adoro cada amigo virtual do FB! Cada um é sempre tão perfeito, tão igual a si mesmo, tão autêntico. Como poderia não amar cada um? Impossível.

E a vida continua, sempre a fluir. Vou a Madrid, ou não. Vou à Madeira, ou não. Sempre curioso. Será que isto irá acontecer?... Estou curioso. E a vida sorri sempre, nunca me decepciona. A vida é aquilo que é e nunca aquilo que o ego gostaria que fosse.

Não é delicioso?

sábado, 26 de março de 2011

Recebi este email ontem, da querida A.

Um ano depois de começar o Curso de Educação Emocional...

Olhei para a altura em que encontrava algo de bom para cada situação do passado, sobretudo o que vivi com o pai e tinha de fazer um esforço. Não sentia o que escrevia...

Ontem, observei o presente ... e numa conversa com o pai, apercebi-me que ele já não me conta a sua história de vitima da infância e da adolescência.

Conta-me novas histórias, que não me lembro alguma vez de ter ouvido. Vi uma pessoa corajosa, determinada, ousada, aventureira; uma pessoa que venceu graças às situações adversas.

De repente soltou-se uma voz: Sou eu, sou eu, sou eu! E ainda estou de boca aberta.

Não sei que é feito da pessoa que se lamenta e que me conta histórias de coitadinho. Não consegui mesmo ver !

A primeira vez que me apercebi disto foi este mês e pareceu-me curioso. Ontem à noite repetiu-se e foi aí que eu vi. Fui eu que mudei !

E disse-lhe ... afinal tu eras corajoso, aventureiro, bom comunicador, dinâmico, saías de qualquer situação difícil... ele ficou calado e depois disse... Bem é verdade! Eu fiquei de boca aberta e imóvel. Não tive qualquer outra reacção...

Agora estou a trabalhar a filha e estou parva com tanta coisa que estou a descobrir através dela.

O comportamento da filha (fez o que disse que ía fazer e não ligou ao que eu lhe dizia, ou seja, eu disse-lhe para ir para o ATL no intervalo das aulas e ela disse que não ia e não foi) e quando me perguntei de que forma faço o mesmo, comecei a ver inúmeras cenas do passado, que quando comecei este curso só via a vitima e agora saltaram com nova dimensão ... ex. Tinha 4 anos e ia varias vezes passar a tarde a casa de uma vizinha velhota e almoçava lá também. Uma vez eu disse que não queria comer porque não gostava da comida. A vizinha, zangou-se comigo, pegou-me pelo braço e levou-me a casa e disse à minha mãe que eu lhe tinha chamado ''velha'' e por isso não me queria mais em sua casa. A memória que ficou a repetir-se muitos anos foi '' injustiça. ela mentiu e eu disse a verdade''.

Ontem, quando me saltou esta memória veio de outra maneira: sorri para mim e disse-me ''eu tinha muita personalidade; já era muito corajosa; já me respeitava; a vizinha não devia saber lidar com a situação e inventou uma desculpa! ''

E a seguir a esta comecei a ver sem esforço uma série de outros eventos que rotulei estes anos todos de injustos, e só via o meu lado corajoso; o meu lado em que me respeitei, mesmo quando outros me '' abandonaram '' e esta não é a verdade; para chegar aqui, vi primeiro que eu é que me abandonei todas a vezes que considerei que outros me abandonaram, desde os 5 anos ... e como a emoção era forte, lembrei-me do que costumas dizer... encontra o oposto ... fui à procura e libertou-me quando encontrei nas mesmas situações as atitudes em que me respeitei, em que fui corajosa, em que fui ousada, em que fui amorosa ... e já não vi as outras.

Tenho percepção que só vemos uma coisa boa ou uma coisa má de cada vez. Não se consegue ver as duas. Quando estou a focar-me nestas atitudes corajosas, ousadas, determinadas, amorosas, estou a sentir uma emoção/energia que inunda o meu corpo de algo parecido com abundância, compaixão, aceitação, amor-próprio, gratidão... deus, não sei o que lhe posso chamar mas é isto que estou a sentir desde ontem.

Desde que comecei esta parte do Curso, que a maioria desistiu de fazer, entro várias vezes ao longo do dia em estado de observação e vejo mais do que todos os 8 meses anteriores do Curso; se pudesse dizer a todos os que desistiram ou os que estão a fazer e não pensam continuar, dizia-lhes ... não sabem o que estão a perder.

Quando cheguei a Dezembro acreditava que já tinha trabalhado muito o pai, a mãe, o marido, os filhos, a sogra ... mentira ... com a observação continua é que estou a ver mais, mas estou é a ver mais de mim !

Por outro lado estou também a encontrar resistência, dificuldade em dar resposta diferente às situações em que estou a querer agradar ... sinto-me sem controlo nenhum. Apanho-me inúmeras vezes ao longo do dia com intenções subtis, a dizer coisas e a ver em simultâneo a intenção que está por trás e estou consciente de estar a manipular. O receio do que possam pensar de mim; no trabalho está a acontecer todos os dias; com o marido também; com amigos; com vizinhos; com os filhos; mesmo encontrando as razões que estão por trás e sabendo que é mentira, não estou a conseguir de momento ter outra atitude. As desculpas e as explicações.

Neste momento agradeço-te por me dares estas ferramentas para trabalhar e agradeço-me por ter pegado nelas. Uma vezes consigo e outras não. Estou com a percepção de que isto é o principio. O Curso pode terminar mas o estado de observação de mim e da realidade não. E isso só depende de mim.

Um abraço muito apertado.

(o meu corpo e eu desfrutamos neste momento a sensação de plenitude ''está a valer a pena !'' ehehe :)))


NB - Só tenho a acrescentar uma recordação à querida A: eu não fiz nada. Nunca fiz mais nada a não ser observar-te e respeitar o teu processo, o teu caminhar. A vida é sempre deliciosa, quer estejamos acordados ou não. E o que observo é que tu, querida amiga, estás a acordar do sono profundo da mente. Poderia a vida ser mais deliciosa?

domingo, 20 de março de 2011

Pensamentos soltos que foram surgindo ao longo do dia de hoje

Um amante daquilo que é espera com alegria tudo o que possa vir na sua direcção. A vida, a morte, a doença, a perda, tremores de terra, bombas, tudo aquilo a que a mente possa chamar de “mau”. A Vida irá trazer-lhe tudo o que precisa, para lhe mostrar aquilo que ainda não ama. Nada fora de mim pode causar-me sofrimento. Apenas os pensamentos por questionar podem causar dor, tudo o mais é um paraíso.

Eu estou livre para ir a qualquer lugar, porque não consigo projectar perigo. Em realidade Emídio é apenas um conceito, e há algum tempo que deixei de acreditar em conceitos. Sem a história de quem o Emídio é, ou deveria ser, estou livre para ser uma expressão da Vida. Não há um lugar onde não possa ir. E eu adoro ir, porque adoro a viagem e a pessoa com quem viajo. Que pode ser a pessoa a ler isto. Uma mente que não acredita em si encontra-se em paz, a sanidade presente. Uma mente sem mentiras curva-se perante a beleza da sua reflexão no mundo à sua volta. Não adiciona nem subtrai nada à realidade. Sabe a diferença entre a realidade e a fantasia e assim não consegue conceber o conceito de perigo.

Qualquer pessoa que acredite no mal irá ter medo e, por conseguinte, sentir-se confusa. O mal é apenas mais uma história que nos impede de experienciar o amor. O que observo é que Deus, Universo, Fonte, é tudo, e é Amor Incondicional. Apenas a mente confusa é capaz de criar separação, de ver o mundo a duas cores. E se acredita no medo irá necessitar de se defender. Começa a guerra.

Não há nada mais carinhoso que uma mente aberta. Uma vez que não acredita naquilo que pensa, torna-se flexível, porosa, sem oposição, sem defesa. Nada a consegue dominar. Nada a consegue resistir. Mesmo a coisa mais impenetrável do mundo – uma mente fechada que precisa de ter razão – não consegue resistir ao seu poder. Eventualmente até a mente mais endurecida se torna flexível e fluida na presença da mente aberta.

As pessoas têm medo de ser nada. Mas ser nada é apenas um aspecto daquilo que é. Nada não só é um motivo para celebrar como também para sentir gratidão e não ter medo. Sem a história de stress em que a mente acredita – o mundo é perigoso, há mal, preciso de ganhar dinheiro – o stress desaparece. Quando não acreditas nos teus pensamentos apenas pode existir alegria e riso.

Apenas a mente que acredita nos seus pensamentos é capaz de criar a imperfeição.

Tudo na vida acontece sem a nossa aprovação. A rosa abre-se e deixa cair as pétalas. Eventualmente morre. Sem qualquer indicação da tua parte um carro buzina na rua, uma criança salta, o sol brilha, a tua amiga telefona-te. Sem qualquer interferência da tua parte os países entram em guerra, os teus pais discutem e os teus amigos falam nas tuas costas. Sem o teu consentimento crianças nascem, amantes abraçam-se e uma refeição é preparada. Poderia a vida ser mais deliciosa?... Tudo a acontecer para ti, para que te descubras. A vida, esta dança perfeita que te mostra continuamente quem és e não exige nada de ti.

Quando estou com uma pessoa pela primeira vez sinto uma torrente de gratidão e amor pela vida. Sei que toda a minha vida aconteceu para este momento especial. Para te ver e desfrutar desta oportunidade única de te amar por seres quem és e não quem eu gostaria que fosses. Não tenho uma história de ti, dedico-me a ouvir-te. A tua história, que é uma mentira, é tão deliciosa que é uma honra e um privilégio poder ouvir-te. Apenas a mente confusa acredita em histórias de sofrimento e separação. Mas não espero que me compreendas, nem exijo de ti outra coisa que não seres quem tu és. E neste espaço, sem qualquer expectativa, posso abraçar-te. Oh meu Deus, poderia a vida ser mais deliciosa?!