quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Amor não é uma condição, nem provoca sofrimento

Estive a trabalhar com uma querida amiga que está a passar por uma situação de separação, ao fim de 12 anos de casamento.

O homem que amava trocou-a pela sua melhor amiga, a quem agora rotula de “hipócrita”.

Foi delicioso observar como em menos de uma hora esta amiga descobriu todas as mentiras em que estava a acreditar para manter-se num espaço de sofrimento (a que eu chamo o inferno pessoal).

A minha experiência ensinou-me que se eu te der as respostas, elas serão sempre minhas. Nunca as irás aplicar no teu dia-a-dia. Mas quando me limito a fazer-te as perguntas e tu encontras as respostas bem dentro de ti, oh meu Deus! A delícia de te observar a conquistar a paz e amor que sempre foste!

Esta minha amiga começou a relação a mentir-se a ela mesma. Acreditava que a sua função era fazer o companheiro feliz, e a função do companheiro era fazê-la a ela feliz. Esta é a receita ideal para criar um inferno. Só posso fazer-me feliz a mim, e dar o exemplo.

A minha amiga descobriu que queria ver o companheiro feliz, com ela! Ou seja, o discurso na sua mente era algo como isto: “quero que sejas feliz. Aqui está a condição: só o podes ser ao meu lado!” Ou seja, em realidade o que ela pensava, apesar de não estar consciente, era isto: “Não quero saber da tua felicidade para nada. Quero é que fiques ao meu lado independentemente do que for melhor para ti!”

Porque a realidade é esta: se amamos alguém ao ponto de desejar que esse alguém seja feliz, nunca poderemos ter a arrogância de saber o que fará essa pessoa feliz. Se impomos a condição de que queremos que o outro seja feliz, AO NOSSO LADO, então não amamos. Tornamo-nos ditadores.

Observa como ao longo do dia vais ditando como queres que os outros sejam para TU estares bem! Queres o filho saudável (por que outro motivo ficas preocupado ou ansioso quando ele está doente?), queres o companheiro ao teu lado e a apoiar-te sempre (por que outro motivo ficarias revoltada se ele partisse?), queres a mãe a sorrir e a concordar com as tuas decisões (então porque raio lhe pedes a opinião?).

Quando amamos verdadeiramente, e não impomos condição alguma, permitimos que cada um seja feliz à sua maneira. Há muitas maneiras de ser feliz. Deixando uma relação para começar outra, vivendo com um cancro (as pessoas com um cancro, caso não tenhas reparado não estão a morrer mais do que aquelas que não têm: estão vivas.), dependente do álcool, viciado no jogo, a criticar pelas costas os amigos, a viver na rua... muitas maneiras de se ser feliz. Só que a mente não se apercebe disto. Como é que eu sei o que é melhor para ti? Aquilo que está a acontecer agora é o melhor para ti. Não há excepções.

A única relação íntima possível é contigo mesmo. Os outros, os maridos, os filhos, os amigos, só te irão devolver o amor que sobra de ti depois de te amares. E se para tu estares bem precisas que os outros estejam bem (de acordo com os teus padrões, claro) então não amas: impões a tua vontade. É duro viver com alguém que nos impõe continuamente a sua vontade. Um inferno. Começas a ver porque as pessoas se afastam? Ninguém gosta de ditadores.

O meu irmão ficou com o pé negro depois de uma pancada. O olhar dele mostrava-me dor. Mas era a sua dor, não era a minha. Porque motivo haveria eu de ficar triste? O universo precisava de alguém com dores no pé, o meu irmão foi o voluntário. Eu fui o voluntário que lhe fez um tratamento. Em paz, tranquilo. Em realidade sorria. Fui de serviço a Deus. Poderia haver algo melhor na vida?

Quando alguém está doente, e com dores, sofre (pelo menos até acordar). E quando essa pessoa nos olha nos olhos e vê preocupação, ou medo, ou ansiedade, irá acreditar que o seu estado é pior do que aquilo que pensava antes de nos olhar.

É assim que ensinamos os mais pequenos. “Olha como eu sofro quando o pai chega atrasado!” ou “Olha como fico triste quando tiras uma negativa!” Isto é ensinar as crianças a procurar a paz e a felicidade fora delas, onde nunca a encontrarão.

A realidade nunca nos desilude, só nós temos esse poder. A realidade é aquilo que é. Como é que eu sei que o companheiro da minha amiga está melhor com outra mulher? É com a outra mulher que ele está. A realidade não nos engana. Mas se acreditar que o lugar dele é com a minha amiga, irei torná-lo no meu inimigo. A guerra começa sempre naquele que se defende.

É engraçado como nos afastamos daqueles que chamamos de amigos. Até acordarmos, os nossos amigos são aquelas pessoas que concordam com as nossas histórias.

(Eu): tive um dia terrível no trabalho!

(Amigo): coitado, tens um trabalho pesado!

(Eu): hoje tive uma discussão com o meu filho, não arruma o quarto!

(Amigo): o teu filho nem sabe a sorte que tem contigo, coitado de ti.

(Eu): A minha professora chumbou-me!

(Amigo): é uma cabra!

Quando os nossos amigos deixam de concordar com as nossas histórias, arranjamos muito rapidamente uma desculpa para nos afastarmos. Não gostamos que discordem das nossas histórias de coitadinho.

Por isso digo que enquanto não amares a guerra, o cancro, a violência doméstica, os políticos, irás projectar tudo o que pensas destes no primeiro instante que um amigo não concordar contigo.

Consegues ver onde andas tu em guerra? Quando queres que os outros sejam quem não são. Consegues ver onde te andas a odiar? Quando dedicas tempo a falar mal dos que não estão presentes. Consegues ver onde és estúpido? Quando não te respeitas e deixas para amanhã o que sabes que é para fazer agora.

A minha experiência ensinou-me que as pessoas à nossa volta são os professores que precisamos. Se apenas estivermos dispostos a aprender.

Ah! No final da nossa conversa, a minha amiga conseguiu conhecer o companheiro pela primeira vez. E agora ama-o tanto que só quer mesmo que ele fique com a sua amiga. E conseguiu ainda telefonar à amiga (a que era hipócrita) e pedir-lhe perdão por não a ouvir.

Claro que numa relação a dois é importante o dar e receber. Eu dou, e nesse momento recebo! E se a outra pessoa dá algo, delicioso! Mas não dou à espera de receber. Isso não é dar, é uma troca comercial com a etiqueta do preço escondida. Quando dou e espero receber, mais cedo ou mais tarde irei cobrar. E quando aqueles que amo escolhem afastar-se, eis a oportunidade de estar a sós com a pessoa mais amorosa do mundo: eu! Pelo menos para mim.

E respeitar-me não significa que irei fazer sempre o que me pedes. Pedes algo e verifico se posso fazer o que me pedes. Sem violar a minha integridade. Hoje pedes-me para ir ao cinema contigo. Não vejo porque não, tenho a tarde livre. Amanhã pedes-me para ficar contigo à noite, e eu já tinha dito ao meu pai que iria jantar com ele. Digo-te que agradeço o teu pedido, mas já tenho outros compromissos. E amo-te à mesma. E se tu não estás em paz contigo, irás acusar-me de ser insensível e distante. É ok, meu querido. Também sou isso.

Haverá algo melhor que a paz? Só o amor incondicional.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Vou ser pontual. Ou não.

A mente tem esta capacidade brilhante de interpretar a realidade à sua maneira, por forma a criar um falso estado de tranquilidade.

Observo como algumas pessoas me dizem, sem qualquer desconforto, que estão a seguir o meu conselho, porque é a realidade. E então dizem coisas como “prometo chegar a horas. Ou não.” e “Eu vou jantar contigo. Ou não.” e “Eu termino este projecto até quinta-feira. Ou não.”

E depois não cumprem e, aparentemente, é perfeitamente ok, porque tinham avisado que poderiam não cumprir.

Chamo a isto manter-se num estado de negação da realidade.

Quando me comprometo a algo e afirmo que há uma possibilidade de não cumprir não estou a dizer que posso ter um ataque de preguiça, ou que de repente surgiu algo melhor. Não podia estar mais longe da doce realidade!

O que eu quero dizer é muito mais simples. Eu prometo ir à tua festa de anos. Ou não. Este “ou não” significa apenas que a Vida pode ter outros planos para mim. Ser atropelado por um camião, por exemplo. Ou um amigo ou familiar ser hospitalizado. Ou ter um enfarte que me atira para um hospital (ou cemitério). É isto o que significa “ou não”.

Mas jamais me ocorreria comprometer-me a fazer algo e mais tarde mudar de ideia e fazer outra coisa, ou comprometer-me com outra pessoa. Isto é viver em estado de negação (para não falar em oportunismo).

A pessoa que se compromete comigo a um encontro, por exemplo, e depois não aparece é a pessoa perfeita para a próxima vez que eu quiser marcar um encontro com alguém que não aparece. Não fico magoado nem triste. Rapidamente sei que a Vida tem outros planos para mim. Mas não volto a contar com essa pessoa. Ela é a pessoa que não cumpre.

Claro que se esta pessoa não cumpre por motivos de força maior, eu compreendo. Não vejo porque motivo não haveria de compreender.

Por outro lado, presto sempre atenção ás desculpas e justificações dadas. Gosto da realidade. Basta dizer “o meu pai está mal.” Eu compreendo. Não há necessidade de prosseguir com aquelas histórias que dizem “quero que penses de mim o que eu mesmo não sou capaz de pensar de mim.”

Observa-te de cada vez que estiveres a justificar-te. Descobre onde estás a mentir. Eu sei que estás. Se estivesses a ser sincero não te justificavas, não precisarias que outros pensassem de ti o que quer que seja.

Somos educados a pensar que é falta de educação faltar a um compromisso e depois não nos justificarmos. A falta de educação pode ser o faltar ao compromisso porque surgiu algo melhor. Mas não é a justificação que irá remediar essa falta. Desiste de te justificares. E quando tiveres mesmo a necessidade de te justificar, sê breve.

A justificação, na grande maioria das vezes, é uma forma de manipular os outros. Por detrás da justificação há a necessidade de mostrar que somos pessoas boas. Se somos pessoas boas porque motivo haveríamos de necessitar de uma justificação?

Recordo-me das palavras do Yoda (Guerra das Estrelas): “Ou fazes ou não fazes, não há tentar.”

Quantas pessoas se refugiam em desculpas como estas:

“Não sou capaz.”

“Não tenho tempo.”

“Eu tentei mas...”

“Não sei o que acontece, mas vou deixando as coisas por fazer...”

“Eu podia fazer melhor, mas...”

Estas desculpas são mesmo e irremediavelmente os pregos com que construímos uma casa de falhanços.

Se estiveres num processo de acordar irás observar o seguinte:

- Consegues ouvir uma voz suave que te diz o que é para fazer a seguir;

- Não tentas “destruir” o ego (querer destruir uma ilusão é acreditar que é real);

- Raramente, ou nunca, precisas de te desculpar;

- As pessoas à tua volta sentem-se bem;

- Os outros sabem que estás presente e consegues ouvir de verdade;

- Não tentas manipular ninguém (nem mesmo os filhos);

- Ninguém te consegue magoar;

- Respeitas-te continuamente e observas que ninguém te falta ao respeito;

- Não dependes das opiniões dos outros sobre o que fazes ou dizes;

- A imperturbabilidade é o teu estado natural ao longo do dia;

- Não tentas “desapegar-te” das coisas e pessoas. O tentar o desapego é uma das actividades favoritas de um ego espiritualizado. Em vez disso, desfrutas de cada coisa e pessoa no momento, sem qualquer expectativa nem receio;

- Não impinges a tua filosofia a quem quer que seja. Eu, por exemplo, que me considero a começar a levantar um nadinha as pálpebras, sei que ninguém tem que seguir a minha filosofia nem sequer tem que fazer um curso meu ou ler o que quer que seja de minha autoria. A única coisa que espero de qualquer pessoa é que seja quem ela é;

- Quando estás com alguém, seja quem for, entregas-te completamente a essa pessoa. Só ela existe;

- Observas, observas, observas. Sem necessidade de comentar o que quer que seja. Excepto se te for pedido um comentário. E mesmo assim, estarás perfeitamente tranquilo para o não fazer;

- Consegues ver perfeição em tudo;

- Deixas de ditar como as coisas deveriam ser;

- Sentimentos de ódio, revolta, ansiedade, angústia, tristeza, são situações que ultrapassas em minutos.

Claro que posso estar completamente errado. Mas para mim funciona. Para ti? Descobre o que te faz sentir bem e sem necessidade de te desculpares.

A outra forma deliciosa de manipular os outros é fazer-lhes uma pergunta e quando não gostamos da resposta insistimos na pergunta. Seria mais íntegro fazer a pergunta e informar os outros de qual a resposta que esperamos ouvir.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A causa de todo o sofrimento


“Ainda que se possa fazer todos os filmes mentais possíveis e impossíveis, sempre em número ilimitado porque na mente de cada um manda o próprio, ou assim se julga, raramente, para não se dizer nunca, o filme acontece na realidade. A única sala de cinema onde passa é dentro da cabeça do visado e em mais lado nenhum.” Luís Miguel Rocha in A Mentira Sagrada (Porto Editora, 2011)
É este o motivo de todo o sofrimento. Os filmes que fazemos na nossa cabeça e que nunca correspondem à realidade.
A realidade é aquilo que acontece e, para sofrer, o ser humano tem que acreditar que não deveria acontecer. A realidade tem uma forma deliciosa de ganhar sempre.
Sofremos quando a pessoa amada é infiel (e não deveria ser, claro). Sofremos quando o filho faz uma birra (e não deveria fazer). Sofremos quando há uma guerra (e não deveria haver). Sofremos quando estamos desempregados (e não deveríamos estar). Sofremos quando estamos cansados (e não deveríamos estar). Sofremos quando alguém nos chama de estúpidos (e não deveria chamar).
Poderíamos começar a tornar-nos conscientes de algo tão simples como Aquilo Que Está A Acontecer?
A mente divide a realidade em bom e mau, certo e errado. É aqui que sofre. E se em vez de certo e errado pudesse a mente ver perfeição? A mente vê a duas cores. E normalmente as cores que consegue ver são estas: eu estou certo e tu estás errado. Puro inferno.
Aquilo Que É, É. E ganha sempre. Por mais que tu chores, grites, fiques triste, zangado, enraivecido. A Realidade não quer saber. Acontece sem a tua autorização. Pessoas gritam, o sol nasce no horizonte, uma criança nasce, lixo amontoa-se na rua, alguém morre, um foguete vai para o espaço, uma mosca cai no prato com sopa. Tudo a acontecer sem a tua autorização.
E depois acreditamos arrogantemente que não deveria ser assim. E garantimos o nosso sofrimento.
Se é tão fácil ser-se fiel, poderias tu começar a dar o exemplo? Sê fiel aos teus sonhos.
Se é assim tão fácil permanecer calmo, poderias começar tu a dar o exemplo? Mantêm-te calmo quando eu estou aos gritos no meu inferno pessoal.
Se é assim tão fácil ser-se honesto, poderias tu ser esse exemplo? Sê honesto quando te perguntam se te amas incondicionalmente tal como és.
Se é assim tão fácil sentir-se feliz e em paz, poderias dar-nos o exemplo? Poderias manter-te em paz e feliz quando eu estou triste e desiludido?
Dá-nos o exemplo que queres que nós sejamos. Mostra-nos que é fácil ser quem tu queres que nós sejamos. Assim como assim, nunca nos irás mudar. Apenas podes mudar-te a ti mesmo. Caso ainda não tenhas reparado. Esta é a doce realidade. Tão simples.
A realidade nunca é aquilo que tu acreditas que deveria ser. É muito mais simples.
É Aquilo Que É.
E tu só tens duas opções. Amar ou odiar. Paz ou sofrimento. E a realidade é tão deliciosa que respeita a tua decisão. E continuará a acontecer sem a tua autorização.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A dor dói. Mas será verdade?

Ontem quis ter a experiência da dor. Como sei que queria esta experiência? Tive-a. Poderia a vida ser mais carinhosa?

Estava a assar sardinhas na brasa e os meus dedos escolheram pegar numa brasa. Poderia dizer que me tinha enganado, e pegado numa brasa em vez da sardinha. E começaria o meu inferno pessoal. A realidade é que os meus dedos queriam pegar numa brasa, porque foi no que pegaram.

E como não largaram a brasa de imediato, soube que queria ter a experiência da dor, de uma queimadura.

Entretanto as minhas pernas mexeram-se rapidamente e levaram-me à casa de banho. Estava curioso. O que iria fazer ali? A mente observava as dores provocadas pela queimadura e questionava-se.

“Não deveria estar com dores” – ria-me.

“Não vou poder fazer massagens” – ria-me.

“O que é que vou fazer agora?” – e continuava a rir-me.

A mente tentava deliciosamente arranjar pretextos para me causar sofrimento. Não conseguia. E experienciava as diferentes nuances da queimadura. As mãos agarraram num frasquinho de óleo puro de alfazema, abriram-no e despejaram o líquido sobre a queimadura. “Ah! Então é isto que a vida quer!”

A vida continuava a fluir através de mim, sem um grama de resistência da minha parte.

Claro que a mente queria queixar-se. Queixar-se a alguém como se os outros fossem um analgésico. A mente ainda não descobriu que a queixa é completamente inútil. Sem utilidade. Se acreditasse na mente, e me queixasse, estaria louco.

A dor física é algo natural. Mas o que pude observar é que o que causa mal-estar, sofrimento, não é a dor física mas a luta que a mente trava contra essa dor. A desejar que não exista, quando está presente. A querer as coisas diferentes daquilo que são.

Depois a vida levou-me para o jardim. Os dedos latejavam. Eu observava, à procura de pensamentos que pudessem causar-me sofrimento. Veio apenas mais um: “Este latejar provoca-me muito desconforto”. E vi imediatamente que o que me provocava desconforto era o pensamento. O latejar mantinha-se independentemente de a mente querer ou não a experiência. Mas eu sabia que queria esta experiência, pelo simples facto de estar a passar por ela.

Os pássaros chilreavam, gotas de chuva caiam, o vento soprava, e os meus dedos latejavam. Mantive-me envolvido na experiência total de estar vivo.

Eventualmente o latejar desapareceu, voltou ao lugar de onde tinha vindo: nada. E sorriu. É para lá que também um dia eu irei. Delicioso.

domingo, 10 de abril de 2011

Quero ter uma conta aberta no FB. Será verdade?...

Através desta rede social tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas especiais. Todas, sem excepção, me foram úteis na descoberta de quem sou. Sinto-me privilegiado. Algumas destas pessoas já conheci ou fiquei a conhecer pessoalmente. E é delicioso poder abraçar cada uma, sentir todo o carinho delicioso que brota de cada uma, sem esperar nada em retorno.

Pela minha experiência pessoal, o FB mostrou-me, tanto como na vida real, que só conseguimos abraçar a nossa luz depois de atravessada a escuridão. Aquela escuridão que tentamos a todo o custo que ninguém consiga descobrir. Enquanto as feridas da nossa infância e adolescência não forem saradas, por mais meditações e figurinhas de luz que imaginemos, iremos continuamente projectar os aspectos rejeitados da nossa alma.

Este é o crime de todos aqueles que não gostamos: mostram-nos as nossa qualidades deserdadas, doentes e que só conseguimos aguentar porque as projectamos sobre os outros, aqueles a quem apontamos o dedo. E uma vida assim nunca pode ser fácil.

Por outro lado, descubro que ninguém tem que fazer rigorosamente nada. Ninguém tem que mudar, nem evoluir, nem ser melhor. Apenas eu. Sou a única pessoa que posso mudar. Os outros podem fazê-lo, claro, mas não faço disso uma exigência para os amar.

Descubro que cada ser humano é digno de ser amado, independentemente do que fez ou disse, ou deixou de fazer ou dizer.

Descubro que todos somos amor puro, mas muitos esquecemo-nos disso, perdemos consciência que somos amor, e procuramo-lo continuamente nos lugares errados: fora de nós.

Descubro ainda que não há nada de que me possam acusar que não seja verdade. E observo que as pessoas com quem contacto presencialmente sentem um carinho especial por mim. É o carinho, o amor, que sempre esteve dentro de cada uma. Limito-me a recordar-lhes isso. E estar presente para cada uma, sem qualquer condição, é suficiente. Descubro que na presença do amor incondicional qualquer ser humano tem a capacidade de se tornar consciente que é isso: amor incondicional.

Perdoo a todas as pessoas que me enviaram mensagens e ás quais não respondi. Há já algum tempo que desisti de as ler. Eram uma média de 30 a 40 por dia.

O FB foi ainda um teste delicioso para comprovar que de facto ninguém tem o poder suficiente para me magoar, apenas eu tenho esse poder. E sinto que o estou a perder a uma velocidade deliciosamente ideal.

Aprendi que é delicioso viver uma vida em que só desejamos que os outros sejam quem são e nunca quem gostaríamos que fossem.

Aprendi a ouvir sem a necessidade de me defender. A defesa é sempre o primeiro acto de guerra, e como diz a querida BK, todas as guerras se resolvem numa folha de papel.

Aprendi que não penso, sou pensado. E que para sofrer tenho que acreditar nos pensamentos como sendo de minha autoria. Nunca o são. Fluem. E são iguais aos do meu vizinho, do meu amigo e do meu pai. Não há pensamentos novos que causem stress emocional. São sempre os mesmos.

Sinto que estou a viver um momento de crise. Uma oportunidade única de crescimento e bem-estar. É isso que significa para mim a palavra crise. Não estou a tentar embelezar o belo nem a negar o que quer que seja. Uma crise é sempre uma oportunidade de crescimento. Se tivermos a coragem de abrir os olhos em vez de apontar o dedo.

As mudanças que observo à minha volta são muitas e muito aceleradas. Escolho o silêncio, a calma, a paz e o amor. Continuarei a escrever no meu blog, ou não. E irei continuar a enviar com alguma periodicidade a newsletter aos que estão inscritos nela, ou não. De qualquer forma, a minha caixa de correio electrónica mantém-se receptiva a qualquer email: emidiocarvalho@gmail.com . Mas por favor não me enviem emails reencaminhados (aqueles com um FWD), nunca os abro.

Escolho dedicar uma grande parte do tempo disponível à preparação da primeira Escola Residencial, com a duração de uma semana, em Julho. É um desejo do meu coração que cada pessoa que participe consiga todos os objectivos que a levarão até lá. E sei que irá acontecer.

Porque, com a ajuda do FB, descobri que na presença do amor, a realidade torna-se amorosa, deliciosa, de braços abertos, e sempre com um sorriso. A vida flui. Eu sigo este fluir. Assombrado. Deliciado. Sem histórias. Tudo e nada na perfeição.

Ah! E é verdade, adoro cada amigo virtual do FB! Cada um é sempre tão perfeito, tão igual a si mesmo, tão autêntico. Como poderia não amar cada um? Impossível.

E a vida continua, sempre a fluir. Vou a Madrid, ou não. Vou à Madeira, ou não. Sempre curioso. Será que isto irá acontecer?... Estou curioso. E a vida sorri sempre, nunca me decepciona. A vida é aquilo que é e nunca aquilo que o ego gostaria que fosse.

Não é delicioso?