quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Presente
sábado, 2 de janeiro de 2016
Algumas coisas que aprendi nos últimos dez anos (mais ano, menos ano)
Enquanto precisar que outros gostem de mim terei que me esforçar para ser uma pessoa “de bem” (o que quer que isso seja). Dá muito trabalho precisar que outros gostem de mim.
Antes de falar é uma boa ideia questionar-me se o que vou dizer é útil aos outros e/ou se há bondade nas minhas palavras. Se a resposta for um “não”, ficar calado é a melhor opção.
Não são as pessoas que me magoam, são as histórias que eu conto acerca das pessoas. E tenho sempre a escolha de me ausentar (nem que seja mentalmente para o meu paraíso lah-lah).
Amar outro ser humano significa tão-só estar presente e esperar absolutamente nada.
Não há nada que eu possa dar que o outro não se possa dar a si mesmo. Então nunca dou nada ao outro, dou a mim: o saber que tenho esta capacidade de dar sem esperar receber.
Viver sem precisar do que quer que seja é o caminho para a paz e amor-próprio.
Criticar outro ser humano só faz com que haja mais um ser humano a sofrer. Os benefícios de atacar outro ser humano podem ser vistos numa mão vazia.
Ficar chateado com outra pessoa, amuar, fechar-me, só produz mágoa.
Esperar que outro me compreenda é esperar pelo dia de ontem. Não acontecerá.
O dia em que aceitar que a vida funciona sem a minha autorização, em que sei que não controlo o que quer que seja, em que cada ser humano faz o melhor que é capaz, é o dia em que há menos um ser humano a participar no sofrimento.
É impossível sofrer quando estamos presentes no momento. Apenas a mente que viaja a um passado que já não existe ou a um futuro que não existe pode sofrer.
Estar presente é a capacidade de observar o que está presente sem um rótulo de bom ou mau, certo ou errado, bonito ou feio. Aquilo que está a acontecer é aquilo que está a acontecer. E é sempre uma história.
É ok os outros esperarem algo de mim. Se posso dar o que é esperado de mim, óptimo. E se não posso dar o que é esperado de mim, óptimo.
Impingir aos outros a minha experiência de vida é ensinar que os outros estão errados. Ninguém está errado. Todos temos experiências de vida diferentes e todos estamos a acreditar numa qualquer história.
Há uma diferença entre partilhar a minha experiência de vida e esperar que outros aceitem a minha experiência de vida como sendo a melhor.
Os outros irão sempre reflectir aquilo em que acredito. Se me causa desconforto aquilo que os outros fazem ou dizem, há algo acerca de mim que ainda não sei.
Os mestres, na minha experiência, são as pessoas que aparentemente me tentam magoar. Não magoam, despertam-me. Abençoados sejam.
É mais fácil amar do que odiar. O sabor de amar é doce.
Amar e esperar ser amado de volta é o caminho da violência.
Aprendi que a natureza humana é bondade absoluta. Sei isto porque sempre que não há bondade nos meus actos ou palavras provoco sofrimento.
É mais fácil gostar das pessoas por serem quem são do que gostar das pessoas porque dizem sim ou estão disponíveis (um dia dirão não ou não estarão disponíveis, garantido!).
Sei que as únicas pessoas que não gostam de mim são aquelas que me trazem algo para eu aprender.
É duro carregar algo de negativo. E enquanto eu não aprender, alguém tem que carregar o negativo. De que outra forma acordaria eu?
Querer aquilo que não tenho é outra forma de criar violência à minha volta.
Em qualquer momento posso observar a bondade da vida ou posso queixar-me. A escolha é minha.
A única situação em que vejo utilidade numa queixa é numa consulta médica. E mesmo nesta situação não consigo ver queixa, apenas um partilhar factos com alguém que pode ajudar.
Eu não vivo, a vida vive-se em mim. Eu não mando, a vida manda. E em cada momento faço o melhor que sou capaz, como todos os seres humanos neste planeta.
Dizer que alguém está errado dói. Ninguém está errado, apenas uma forma diferente de ver a vida.
Nesta vida irei experienciar tanto quanto a vida me quiser oferecer. Pode ser uma caixa de chocolates ou um cancro. Amar a vida como se apresenta é viver. Querer que a vida seja diferente daquilo que é, é sofrer. E isto não significa uma atitude passiva. Se é uma caixa de chocolates, comem-se. Se é um cancro, vai-se ao médico.
Não acredito que amanhã a vida será melhor. Agora é melhor. E nem isso. Como posso comparar o que aconteceu ontem com o que está a acontecer agora? Esta comparação implica acreditar que é possível agora existir ontem. Não é.
O primeiro passo para a paz é fazer as pazes com o pai e a mãe da nossa imaginação (aqueles seres que existiram ontem). Qualquer situação de mal-estar do passado pode ser vista como uma lição ou como um ressentimento.
Não me é possível ajudar outro ser humano se não sou capaz de me ajudar a mim.
Enquanto acreditar que preciso de algo não estarei cem por cento disponível para este momento nem para a pessoa à minha frente.
Acreditar que a vida deveria ser diferente daquilo que é. Aqui está a receita para o sofrimento.
Vivo rodeado de pessoas amorosas. Fui o último a descobrir isto. A pessoa que afirma não gostar de mim mostra-me apenas onde eu ainda estou confuso. Poderia esta pessoa ser mais amorosa?
Amo os outros por motivos inteiramente egoístas. Sinto-me bem quando amo. Esperar que este amor seja devolvido é criar um espaço para a desilusão.
O mais delicioso da vida é isto: quem não acredita em mim ou no que eu penso tem razão.
É ok.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
A mente normal
domingo, 11 de novembro de 2012
Abraçar a Sombra
sábado, 10 de março de 2012
Qual é a tua história?
Observa como a mente conta histórias. Acerca dos políticos, dos pais, do dinheiro, dos amigos, do corpo e da vida. Que histórias conta a tua mente?
O ser humano possui um mecanismo natural que lhe permite saber sempre que a mente conta uma história que é mentira: o corpo cria mal-estar.
Se te sentes mal, presta atenção às mentiras que a mente está a contar. A mentira maior é esta: aquilo que aconteceu não deveria ter acontecido. É mentira pelo simples facto de que aconteceu o que aconteceu. Por mais que eu fique triste por já ser noite, o sol não nascerá até amanhã. Ou não. Posso sempre partir antes do próximo nascer do sol.
A luta com a realidade é a única causa de sofrimento. Isto não significa ter uma atitude passiva perante a vida.
Uma forma de viver em paz é perguntar-me continuamente: o que é para fazer a seguir? Levanta-te. Levanto-me. O que é para fazer a seguir? Caminha até à casa de banho. Caminho. O que é para fazer a seguir? Cuida do teu corpo. Cuido. O que é para fazer a seguir? Caminha até à cozinha. Caminho. O que é para fazer a seguir? Faz um sumo de fruta. Faço-o. O que é para fazer a seguir? Bebe o sumo. Bebo-o. O que é para fazer a seguir? Lava a máquina dos sumos. Lavo-a. E eventualmente surge uma altura em que o que é para fazer a seguir é sentar-me e planificar o próximo mês ou o próximo ano. Faço-o também.
Mas nas planificações não exijo que aconteça tudo como eu quero. A vida pode ter outros planos para mim.
A mente conta histórias. É o que faz. Mas sou eu quem tem o poder de escolher acreditar nas histórias que a mente conta.
Para nos livramos das histórias da mente tentamos um anti-depressivo, ou reiki, ou danças tribais, ou sexo. E enquanto nos dedicamos a qualquer destas actividades conseguimos por momentos libertar-nos das histórias da mente. Elas não desaparecem, ficam a aguardar o momento mais oportuno para surgir novamente.
Tentamos depois procurar respostas, soluções, fora de nós. Lemos livros de auto-ajuda, vemos filmes inspiradores, vamos a um seminário de hipnose colectiva. Mas ao fim do dia, ou da semana, regressamos a nós, à mente, e às histórias que a mente conta.
Ninguém tem respostas para ti. Ninguém. Pelo simples facto de que ninguém vive na tua mente, ninguém sabe exactamente os filmes que tu fazes, as perguntas que te colocas, as dúvidas que te assaltam. Ninguém sabe. Só tu. E muitas vezes nem mesmo tu.
Independentemente do que te provoca mal-estar, as respostas nunca serão encontradas nos outros. As respostas dos outros são paliativos.
Apenas as tuas respostas te podem dar paz, liberdade e bem-estar.
A chave está nas perguntas que te podem fazer. As perguntas que levam a tua mente a descobrir-se. Porque no momento mágico da pergunta a tua mente descobre a mentira e liberta-se.
Desisti de procurar respostas há algum tempo. Agora fascinam-me as perguntas. Deliciosas.
Quem serias tu se não acreditasses na história “eu sou...”?

