quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Um exemplo do trabalho da sombra

Tenho uma amiga na Turquia com quem deveria começar agora a trabalhar num projecto internacional.

Todavia, há alguns meses esta minha amiga pregou-me uma série de partidas que me magoaram. Critiquei duramente a sua atitude e o seu carácter. Mas nunca lhe disse nada a ela! Foi a outros que me queixei!

Mas ela soube que tinha feito asneira porque deixou de comunicar. Até à semana passada. Enviou-me um email, como se nada tivesse acontecido, a perguntar-me como estavam as coisas do meu lado. Fiquei novamente magoado pela sua atitude!

O trabalho que tive que fazer:

Em primeiro lugar reconhecer que estava magoado devido à minha interpretação dos eventos. Era a minha interpretação dos eventos que me deixava a sentir o que sentia.

Depois escrevi os aspectos do carácter desta amiga que conseguia ver:

Gananciosa, invejosa, mentirosa, insegura, não honra a sua palavra, tem necessidade de brilhar, caprichosa, vontade de ajudar os outros, dedicada a partilhar os seus conhecimentos, esforça-se por dar o seu melhor, excelente profissional.

Para além disto, através de uma técnica simples de respiração, perguntei-me o que mais me afectava nela e a resposta foi um bem sonoro “Eu quero, posso, e mando!” – esta atitude magoa outros. Onde é que eu já vivi isto antes?... Quando era miúdo, a minha mãe era assim. Como é que eu interpretava esta atitude? Sentia-me magoado e abusado. E a pergunta de ouro: o que posso fazer para evitar estas situações? – falar a minha verdade!

A segunda parte deste exercício é ver de que forma aquilo que eu vejo nesta amiga é uma projecção minha! Consigo ver em mim situações em que já fiz e fui tudo aquilo que vejo nela. Com uma excepção: a atitude de “Eu quero, posso e mando!” – eu não sou assim! (pelo menos que tenha consciência). Aqui está o aspecto da sombra - aquele que rejeito e nego em mim!

Não precisei de mais que cinco minutos para ver situações em que mostrei precisamente essa atitude! Apesar de o ter feito pelos motivos errados.

Terceira parte. Se eu me permitisse abraçar este aspecto rejeitado de mim, e expressá-lo de uma maneira saudável, o que estaria disponível na minha vida?

E aqui é que doeu mesmo! Tantas situações do passado, principalmente com ex-funcionários, em que se eu tivesse expressado esta atitude me teriam evitado dissabores e dificuldades para eles!

Para completar este trabalho, para encerrar o evento, vou falar com as pessoas envolvidas (falar a minha verdade) e fazer-lhes saber qual a minha posição e o que podem esperar de mim.

2 comentários:

  1. É um trabalho muito mas muuuuuito difícil este, o de aceitar e não de rejeitar o que consideramos negativo em nós... e persistir em reflectir isso nos outros e com isso sentirmo-nos magoados. O reconhecimento, infelizmente, não é suficiente para a aceitação. Porque somos tão complicados? Bom... se fosse facil também não teria "sabor", não é mesmo?

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  2. Tem toda a razão, Helena! Na verdade o processo inicial de abraçar a nossa sombra é bastante dramático e, tanto quanto eu saiba, apenas conheço uma forma de o fazer: durante o workshop do Processo da Sombra (isto porque é necessária a presença de várias 'testemunhas'). Já ensinar as crianças é mais simples. Quanto ao motivo porque somos complicados... Esteja atenta ao próximo posting :)

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