domingo, 27 de setembro de 2009

Descobrir o propósito de vida

As perguntas que mais poder nos podem dar, e aquelas das quais muitos de nós fugimos:

- Quem sou eu?

- Por que estou aqui?

- O que quero para mim?

Cada um de nós nasce com um dom, ou propósito, que é único no mundo. Não há outro que tenha um dom igual ao seu.

Há duas alturas na vida de cada ser humano em que o seu dom se torna consciente. Adolescência e meia-idade. Por volta dos 15 anos surge no adolescente uma paixão, algo pelo qual vale a pena lutar e ir até aos limites da capacidade humana. Devido à pressão, mais ou menos subtil, das pessoas à volta do adolescente, é fácil para este esquecer em pouco tempo o seu dom, a sua paixão. Nos dias de hoje a paixão do adolescente é apagada com a ajuda de jogos de computador, internet e outras actividades que anestesiam a alma.

Por volta dos 40 anos de idade volta a surgir o sentimento inicial. É como se até aos 40 anos tivéssemos subido uma escada muito alta e, ao chegar ao cimo, verificarmos que encostámos a escada ao edifício errado. Só temos duas hipóteses: a resignação e conformismo ou remediar a situação, descendo da escada, colocando-a no edifício apropriado (o nosso dom) e recomeçar a escalada.

Mas muitas pessoas preferem soluções rápidas. É fácil ver quem está a tentar pular para o edifício apropriado sem passar pela experiência de descer as escadas e voltar a subi-las. O homem que se divorcia para se juntar a uma mulher mais jovem. A mulher que se enamora de um colega mais novo. Projectamos nos outros a nossa falta de maturidade e os nossos sonhos por viver.

O nosso dom pode ser descoberto em qualquer idade, mas a partir dos quarenta anos torna-se uma força poderosa e imparável, se soubermos resgatar toda a energia que tem para nos oferecer. Significa, muitas vezes, abandonar tudo o que construímos para começar de novo. Este evento pode acontecer aos 40, 50 ou sessenta anos. Em realidade não há uma idade certa, apenas a coragem suficiente para mudar. O perigo maior, a partir desta idade, é que se não formos atrás do nosso dom ele irá consumir-nos. O que é a depressão, ansiedade, insónia?...

Uma forma de descobrirmos o nosso dom é através das experiências da nossa vida até ao momento presente. Estudar meia dúzia de eventos, de preferência os mais dolorosos, e descobrir as suas lições. Ver o que aprendeu com cada evento. É aí que se encontra o seu propósito.

No seminário dedicado ao resgate da nossa luz há um exercício que criei para chegar mais depressa ao nosso dom. Imagine que é convidado para dar uma disciplina numa faculdade. Será responsável por ensinar uma cadeira durante um semestre. E essa cadeira será baseada na sua experiência de vida. Irá ensinar tudo aquilo que aprendeu até ao presente. Como se chamaria essa cadeira?

Alguns dos temas surgidos com clientes:

- Como descobrir a coragem através de separações dolorosas;

- Amar incondicionalmente;

- Dar sem esperar receber;

- Dançar a vida;

- Agradar a mim para agradar aos outros.

É a partir destes temas que começamos a ter um vislumbre do nosso dom. Um cliente, por exemplo, precisou de passar por uma situação complicada de rejeitar alimento atrás de alimento, tornando-se alérgico aos lacticínios, proteína animal, e por aí fora, para descobrir o seu dom: criar refeições deliciosas com poucos ingredientes! Pode parecer ridículo, mas não há dons ridículos. Cada um serve um propósito.

Em realidade o seu dom pode ser algo tão simples como ser uma mãe carinhosa e capaz de amor incondicional.

Regra geral o nosso dom é algo de benefício para os outros. Algo que temos para partilhar com o mundo.

2 comentários:

  1. Caro Emídio, tento desde os 15 anos viver sem fazer sombra à criança que fui e continuo a ser, sem ser demasiado brusca com as minhas acções para comigo mesma - ou seja - tento amar aquilo que faço. No entanto não consegui livrar-me das depressões, mas consegui livrar-me delas quando deixei de tentar agradar aos outros e comecei a desejar ser feliz. Vi que a minha vida, a minha felicidade só dependia de mim. Comecei a ter outros valores na vida - se bem que não foi muito difícil esta parte, porque a essência estava toda cá dentro...
    Agora tento libertar-me de amarras que ainda teimam em existir!

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  2. Querida Adoa,
    Depois de ver o seu blog soube que é uma pessoa especial. Apercebi-me que está num processo de auto-descoberta e que sabe valorizar-se (a maioria das pessoas não o sabe fazer).
    Como diz, nós somos os únicos a criar as nossas próprias limitações, as amarras que nos impedem de brilhar na totalidade que somos. Uma vez, numa visita ao Quénia, um guia virou-se para mim, quando passávamos ao lado de elefantes, e perguntou-me: "como é que consegues comer um elefante?"... Fiquei a pensar... Não me conseguia a ver numa situação assim... Depois, à medida que o guia sorria, apercebi-me de que talvez ele estivesse a falar em termos metafóricos... A resposta dele, com uma sonora gargalhada, foi "uma dentada de cada vez!"
    Eu penso que a vida também é assim. Uma dentada de cada vez, um passo em frente todos os dias.
    Beijinhos!

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