sábado, 21 de novembro de 2009

Aquilo a que resiste, persiste

Se tem efectuado todos os exercícios dedicados à descoberta da Sombra, é muito provável que comece a observar alterações significativas nos seus relacionamentos.

Lembre-se de dois aspectos importantes de qualquer relacionamento:

1. O seu Corpo de Dor irá sempre atraí-lo para relacionamentos íntimos com as pessoas capazes de alimentar a dor. Os relacionamentos irão causar-lhe sofrimento, quer queira ou não, para que você possa despertar;

2. A partir do momento que aceita plenamente em si as características negativas da pessoa com quem se relaciona, essa pessoa muda de comportamento ou afasta-se, literalmente, de si.

O processo da Sombra não é fácil nem para qualquer pessoa. Ao iniciar este processo irá mergulhar no que muitos mestres chamam de “Noite Escura da Alma”. A fase inicial deste processo é dolorosa e todo o sofrimento enterrado ao longo dos anos irá surgir para que você o possa abraçar e abençoar, vendo nele os presentes que encerra.

Não pode parar este processo. Não pode simplesmente dizer “já chega, já sofri o suficiente, quero é viver a minha vida!”. Se o fizer, pode ter a certeza que voltará a passar pelo mesmo sofrimento vezes sem conta. Tem que se permitir continuar.

Veja os presentes que cada trauma, cada drama, encerram em si.

Os acontecimentos da nossa infância, por mais traumáticos que tenham sido, encerram o nosso dom. Para lhe facilitar este processo deixo-lhe alguns exemplos.

Qualquer que tenha sido a experiência que o tenha marcado, a lição que aprendeu foi qualquer coisa como:

- Não sou importante;

- Não devo sobressair;

- Não faço nada bem feito;

- Se for eu próprio serei punido;

- Se me respeitar outros irão afastar-se de mim;

- Se não fizer o que é esperado de mim ninguém me amará;

- Os outros têm sempre razão;

- Para ser amado tenho que abdicar daquilo que gosto;

- O meu corpo é feio;

- Sou mau porque não obedeço ás regras da sociedade;

- Se for atrás dos meus sonhos vou ser criticado;

- Não sou merecedor de fazer o que me dá prazer;

- Devo sacrificar os meus sonhos em favor de segurança;

- Não é seguro ser eu mesmo;

- Nunca vou ser completo;

- Se mostrar o que sinto outros irão rir-se de mim e/ou aproveitar-se das minhas fraquezas;

- Se for bem educado todos me respeitarão;

- Só as pessoas sérias é que são levadas a sério;

- Etc, etc, etc.

Estas lições foram apreendidas através de situações específicas em que, regra geral, um dos progenitores participou. Eis o que acontece:

A criança de seis anos, enquanto brinca, parte um vaso de estimação da mãe. A mãe, porque teve um dia ‘pesado’, grita com a criança e diz-lhe qualquer coisa como “Esse era o meu vaso favorito, que a tua bisavó me tinha oferecido! Vai já para o teu quarto de castigo!” (ok, provavelmente aconteceu algo muito pior). Qual a lição que a criança aprende? – pode escolher entre “Nunca faço nada bem feito”, “Sou uma pessoa má”, “Só causo problemas”, “É arriscado divertir-me”...

Se os pais não foram capazes de mostrar carinho, afecto, a lição foi ainda mais dura. Apreendeu coisas como “Não sou digno de ser amado”, “Ninguém gosta verdadeiramente de mim”, “Não sou importante”...

Se os pais discutiam ou não mostravam uma relação amorosa, a lição que apreendeu foi qualquer coisa como “Quando amamos alguém sofremos”, “Para ser amado tenho que abdicar daquilo que gosto”, “Os outros são incapazes de me amar quando sou eu próprio”...

Começa a perceber a história que foi criando enquanto criança? É capaz de ver situações da sua infância e verificar como está agora a viver essas situações de uma outra forma (embora as emoções sentidas sejam as mesmas)?

Todavia, como se isto não bastasse, vamos fazer algo ainda mais absurdo do que o comportamento que os adultos à nossa volta nos mostraram! Vamos mostrar-lhes que não tinham razão, que erraram! E como vamos fazer isso? Repetindo situações em que, inconscientemente, lhes mostramos que o que fizeram estava errado e nós é que temos razão!

Alguns exemplos. Se a lição que o pai ou mãe, através de uma situação específica, mostraram foi algo como “Não sou merecedor de ser amado” então iremos sofrer nos nossos relacionamentos amorosos. Iremos criar relações com pessoas instáveis, ou frias, calculistas, traiçoeiras, falsas. Ou simplesmente não teremos uma relação amorosa com ninguém. Se a lição que nos ensinaram foi “Nunca fazes nada bem feito” iremos criar situações de emprego precário, seremos despedidos com frequência do trabalho, saltaremos de emprego em emprego, teremos dificuldades na escola. Se a lição for “Tu és feio” iremos ter problemas alimentares, um peso muito acima ou abaixo do ideal, problemas de pele ou de saúde, agarrar-nos-emos a vícios que deformem o nosso corpo.

E tudo isto com o único objectivo de podermos apontar o dedo aos progenitores e afirmar “Erraste!”.

O seu desafio, neste momento, é descobrir o presente que cada situação da sua infância encerra – o seu Dom.

De que forma é que os seus pais o ajudaram? Vejamos alguns exemplos.

O Pedro, quando criança, presenciou muitas situações em que os pais discutiam violentamente. Hoje o Pedro é um excelente comunicador e tem ajudado, no seu trabalho, muitos casais a resolver os seus conflitos.

A Mariana, aos sete anos de idade, foi entregue a uma família porque os pais, ambos alcoólicos, eram incapazes de cuidar dela. Hoje a Mariana é directora de recursos humanos numa empresa que prima pela atenção e cuidados prestados aos funcionários.

O pai do João disse-lhe, inúmeras vezes, enquanto criança, que não sabia fazer nada e nunca lhe demonstrou carinho. Hoje o João é um juiz num tribunal de família onde é conhecido pelo afecto com que trata vítimas de maus tratos.

A Gabriela foi violada por um tio até aos nove anos de idade. Andou metida no munda da droga e prostituição. Hoje está à frente de uma organização que cuida de mulheres em situações precárias.

E de que maneira é que a sua história da infância lhe está a ser benéfica? Qual a característica que demonstra devido a uma situação dramática da sua infância? Talvez lhe tenham dito que nunca faria nada bem feito e hoje é um homem de negócios de sucesso. Ou talvez lhe tenham dito que não era digna de ser amada, e hoje, é-lhe fácil sentir compaixão por outros e ser-lhes útil.

Não sei se começa a ver o desenlace da sua sombra. Por um lado irá manifestar-se numa área da sua vida, como a parte de si que não é capaz de aceitar. Por outro lado, irá manifestar-se como o seu oposto numa outra área da sua vida!

E quando for capaz de ver e aceitar ambas, ser-lhe-á fácil descobrir o seu Dom – o motivo divino pelo qual mais ninguém no mundo poderia ocupar o seu lugar.

O exercício desta semana é simples: pegue numa situação dramática da sua vida (ocorrida na infância, adolescência ou juventude). Primeiro veja qual foi a lição ‘negativa’ que apreendeu e que ainda hoje repete, só para ter razão e poder apontar um dedo acusador. Depois veja qual o benefício dessa mesma situação. De que maneira essa situação o tornou mais ou maior.

Para terminar, permita-se descobrir o que precisa de fazer para deixar partir a situação dramática. Qual o ritual de limpeza necessário. Respire fundo durante dois ou três minutos. Vá dentro de si e aguarde a resposta. Pode ser que o que a sua alma necessite é um pedido de desculpa por parte da pessoa que o/a magoou. Pode ser que seja suficiente ir até à praia e gritar a plenos pulmões. Pode ainda ser que precise de acender meia dúzia de velas e dançar com os braços no ar. Não há um ritual certo ou errado – faça o que sentir ser mais apropriado para si.

Agora é a altura de se libertar da sua história.

4 comentários:

  1. O progresso do universo está interligado ao progresso do homem.
    Qualquer desenvolvimento nos campos científico, econômico e social não
    será de muita utilidade sem a transformação mental. Como podemos gerar
    essa transformação? Vigiando as paixões e as emoções. Uma vez que a
    tensão mental é a mais prejudicial à saúde do ser humano, ele deveria
    aprender a arte de controlar suas paixões e emoções, que causam tensões
    e estresses. O homem deveria fazer um esforço sincero para levar uma
    vida serena e pura. Ele deveria compreender a verdade de que os
    problemas e os tumultos são temporários, como nuvens passageiras. Não
    há espaço para as agitações surgirem quando se compreende essa verdade.
    Aquele que compreende essa verdade não permitirá que sua mente oscile
    pelos sentimentos de raiva, crueldade etc.

    Obrigada pela partilha!

    Alma Perfumada.

    ResponderEliminar
  2. Obrigado pelas suas palavras, Edi!
    Beijinhos mil,
    Emídio

    ResponderEliminar
  3. isso foi tudo que precisei ouvir tudo tudo mesmo se quiser conheça meu blog


    www.exoticlic.com

    ResponderEliminar
  4. Olá Emídio,

    E quando olhamos para dentro de nós próprios e percebemos que afinal não aceitamos. Que também rejeitamos. Que aceitar as coisas como elas são é sensato só que olhando bem no fundo percebemos que não aceitamos. E que andamos à luta entre o "ter que aceitar" e o "ser capaz de aceitar". Quando há dentro de nós um eu guerreiro. Como lidar com isso? Sinto uma grande confusão...

    ResponderEliminar