segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Amor é Tudo

A maior parte das pessoas, quando fala de amor refere-se a um conceito criado pelo ego. O amor entre pais e filhos, o amor pelo trabalho, o amor pelo dia de sol. E mantêm assim a separação, ou a ilusão da separação. Ainda não conseguem sentir que Tudo é Amor. Uma formiga não é menos amor que a minha perna direita. Um soldado que dispara a metralhadora não é menos amor que uma bênção de um líder religioso.

Outra coisa interessante sobre o amor é que não se consegue ensinar, apenas experienciá-lo.

Por vezes estou com pessoas, ou só a saborear uma torrada amorosa, e sou invadido por orgasmos intensos de suprema felicidade. A Vida experiencia-se através de mim. Não escolho nada. A Vida fá-lo na perfeição.

Não escolho respirar, nem escolho quais os dedos que pegam na torrada. Nem escolho a pessoa que está à minha frente. Amoroso.

E descubro que não há morte. A Vida amorosamente a experienciar-se num ciclo interminável.

Estou a ouvir música e não fui eu quem a escolheu ouvir. E é deliciosa.

E depois de mais de quarenta anos a querer descobrir os “porquês” da vida delicio-me nos “porques”. A resposta a tudo é “porque sim”. Delicioso.

Porque há nações em guerra? Porque sim. Não tenho uma opinião formada quando me encontro assim. Deliciado com a Vida tal como é.

O meu assistente filtra os meus emails. Ele diz que é para me poupar tempo. Delicioso. Não tive que decidir isso. A minha amiga Augusta convida-me para jantar. Também não tive que decidir ir. Se me convidou é porque era para ir. E o jantar é uma salada de tomate e abacate e uns bifes com arroz de ervilhas. Como muita pouca carne, mas se está à minha frente num prato, é óbvio que é para comer. Como bastante salada. Tudo delicioso.

A mãe do querido Rui caiu e tem um golpe na cabeça. Ela não escolheu cair. Nem escolheu o golpe. A Vida escolheu por ela. Delicioso. O golpe foi perfeito, no local perfeito da sua cabeça perfeita. E o sangue que saía também era perfeito. E como é que sei que era eu quem devia cuidar do ferimento? A Augusta pediu-me.

E cada movimento, cada gesto, cada palavra, brotam da Vida através de mim. Sem luta. De braços abertos.

Como é que eu sei que devias ler isto? Estás a ler.

Deveria estar preocupado com o dia de amanhã? Que inutilidade. Amanhã não existe. Ainda.

Mas neste momento a Vida experiencia-se através de mim na totalidade. A sensação de enfartamento que sinto no estômago é perfeita. Manifesta-se com precisão tal como deveria ser. Como sei que deveria sentir-me enfartado? É assim que me sinto.

Entretanto ouço uma voz na minha cabeça que me diz que estou com sono e que quero dormir. Delicioso.

A Vida é sempre tão carinhosa. Tenho que viajar até um passado que já não existe ou um futuro que também não existe para conseguir sofrer.

Só há amor.

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