segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Uma caminhada de mil quilómetros começa de boca fechada


Procuramos uma vida tranquila, sem sobressaltos, sem problemas, sem conflitos e sem preocupações financeiras. Tentamos livros de auto-ajuda, seminários, meditações e limpezas da aura. E no entanto a vida continua a apresentar-nos momentos de stress e de aparente caos. Como podemos viver uma vida mais em paz? Talvez as sugestões abaixo possam ser de ajuda.


1.     Começa por te tornar consciente que a vida é mudança. Todas as pessoas e coisas entram na tua vida para sair. Nada nem ninguém fica. Querer que alguém nunca saia da tua vida é como querer que um gato ladre: por mais que te esforces não vai acontecer. Então desfruta da presença de cada pessoa como se fosse a primeira e última vez;

2.     Antes de ofereceres a tua opinião ao mundo conta até vinte. Se entretanto alguém falar é porque o que tinhas para dizer não é assim tão importante. Observa como a tua opinião é tua, não tem que ser dos outros. E a tua opinião é irrelevante no jogo completo da vida. A tua opinião não irá mudar o curso de um rio nem a bolsa de valores nem o quanto alguém te ama. As tuas opiniões são para ti. Reconhece isto, e reconhece que as opiniões dos outros são deles, não são tuas. Não tens que combater a opinião dos outros. Respeita-as. O que tu pensas acerca dos políticos, do planeta, da guerra ou dos espinafres à venda na tenda ao lado são apenas pensamentos. Se podes fazer alguma coisa em relação a qualquer assunto, faz. Opinar apenas é coisa de criança e sem qualquer resultado para além de causar mal-estar (sobretudo a ti mesmo);

3.     Aprende a poupar. Quase de certeza que ainda hoje irás gastar algum dinheiro em algo que realmente não precisas. Vê onde gastas dinheiro que pode ser poupado. Pode ser tão simples como um café. Sessenta cêntimos por dia dá dezoito euros por mês, que dá duzentos e dezasseis euros num ano. Não há muito que possas fazer com sessenta cêntimos, mas com duzentos  e dezasseis a coisa muda. E se ao café juntares outras pequenas coisas, a poupança aumenta. Posso dizer-te que comecei a fazer isto há um ano, e em média consigo juntar mais de duzentos euros por mês. Por mês!

4.     Assume total responsabilidade pela tua vida, deixa a dos outros em paz. Uma criança não tem a independência suficiente, mas tu, como adulto, tens. Enquanto acreditares que os outros são os responsáveis pela tua infelicidade, os outros serão os detentores da tua vida. Não funciona muito bem. Sim, alguém poderá ter-te tratado mal, mas tu tens o poder de te afastar. Ficar a remoer no mal que te fizeram é viver no passado. Inútil para além de conseguires a coroa de vítima do ano;

5.  As pessoas são inocentes. Fizeram o que fizeram porque não sabiam fazer diferente. Poderias tu começar a fazer diferente? Por exemplo, poderias tu parar de te maltratar? A melhor coisa acerca do que te aconteceu de mau é que está no passado. Aprende algo acerca do que aconteceu e avança. Uma das maiores lições acerca das coisas más do passado, e que poucos querem aprender, é que falamos de mais e fazemos de menos. Se alguém me der uma bofetada posso aprender que essa pessoa acredita na violência e afastar-me. Mas se ficar, e a pessoa me der uma segunda bofetada, já sou eu quem me dá a bofetada, eu é que escolhi não me afastar;

6.     Ter medo do que possa acontecer no futuro é como ter medo da morte. Inútil, porque irá acontecer. Não é bom nem é mau, é a vida. Pensamos que a morte é o oposto da vida. Mentira. A morte é o oposto de nascer. Nascemos para morrer. Simples. O oposto da vida é o medo. O medo paralisa. Ninguém sabe o que poderá acontecer no futuro, porque ainda ninguém foi lá.  Mas se soubesses que não te é possível falhar, o que farias de diferente ainda hoje? Aprende a dizer “que se foda” a qualquer pensamento relacionado com o futuro, porque ainda não foste lá para saber se é verdade;

7.     Antes de abrires a boca para dizer o que quer que seja pergunta-te apenas estas duas questões: o que vou dizer acrescenta bondade à vida do outro? O que vou dizer é informação útil ao outro? Se a resposta for não, garanto-te que aquilo que tens para dizer é apenas útil a ti mesmo. Ouve-te.

E da próxima vez que estiveres com outros lembra-te: conta até vinte antes de abrir a boca. A sabedoria encontra-se no silêncio, no ir dentro.

Não tens que estar sempre feliz e bem-disposto (tornas-te um peso para todos, incluindo a ti mesmo). Respeita e honra cada emoção. Uma tristeza, uma alegria, uma mágoa. Permite que tenha a sua vida em ti. As emoções ditas negativas são, quase todas, avisos para ir dentro, para olhares para ti, para estares contigo. Não há nada de errado com a tristeza quando surge. Excepto se usas este estado para vasculhar o passado em busca de tudo o que consideras que foi mau. Podes aproveitar este tempo de tristeza para verificar as lições escondidas nas coisas más do passado, ou podes aproveitar para te manter num lugar de “coitado de mim”.


E agora, se chegaste aqui, pega na primeira memória dolorosa que te surja e aprende algo.

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