terça-feira, 8 de setembro de 2009

As máscaras humanas: a Boa Rapariga

A Boa Rapariga faz o possível e o impossível para que todos saibam que ela é uma força positiva no mundo. A sua chegada a qualquer lado é acompanhada de um enorme sorriso e um raio de sol. Ela quer que você saiba o quanto ela é simpática, decente, formal e correcta e que cumpre sempre as regras. É a Boa Rapariga quem lhe pergunta como é que os seus filhos se estão a sair na escola, ou como está a sua mãe. Esta pessoa é a consideração pura: escuta com muita atenção o que lhe é dito, porque quer assegurar-se que os outros saibam o quão atenciosa ela é. Sobretudo é excelente a motivar os outros.

A Boa Rapariga coloca sempre em segundo lugar as suas necessidades porque os outros estão primeiro. Isto porque acredita que o seu mérito é ser boa. Ela tem uma aparência vulgar e não se mete nunca na vida dos outros. Como é uma “presa” em busca de um predador, esforça-se ao máximo por não dar nas vistas. Todos conhecemos uma Boa Rapariga: é a pessoa que se preocupa com as festas de aniversário dos seus filhos, envolve-se em associações de caridade e trata o marido como uma criança, com muitos mimos e carinhos. Todavia, é bem capaz de se envolver sexualmente com o marido da melhor amiga, fingindo estar a ajudar essa mesma amiga.

A Boa Rapariga quer tanto mostrar uma imagem moral positiva, que acaba por projectar tudo o que rejeita nos outros. Exceptuando a sua família mais chegada, a qual será uma cópia de si mesma tanto quanto a ela lhe for possível. É frequente a Boa Rapariga fugir de qualquer realidade que lhe pareça negativa. Não fala de impulsos humanos conflituosos e nunca mostra um sentimento de raiva, mesquinhez ou inveja. Sob a fachada bem coreografada, a Boa Rapariga teme a sua própria humanidade desordenada e imprevisível e fecha a porta a tudo o que não condiga com a imagem que tem de si própria.

A vergonha da Boa Rapariga é sentir-se indesejável, imperfeita, acabrunhada, falsa e má.

O desafio da Boa Rapariga é começar por reconhecer as experiências que teve cedo na vida que a levaram a acreditar que é uma pessoa má e que, para ser amada, aceite e bem-vinda tem de projectar uma imagem de bondade e perfeição. Se rasparmos a superfície da personalidade da Boa Rapariga iremos expor os seus impulsos e desejos autênticos mas rejeitados. Infelizmente, só quando tiver contacto com estes é que os poderá reconhecer como aspectos importantes e valiosos da sua natureza. Isto irá permitir que a Boa Rapariga se torne honesta. As pessoas do tipo Boa Rapariga muitas vezes não encontram motivação para mudar até se terem extenuado a tentar provar como são perfeitamente boas e se terem sufocado dentro das limitações das suas máscaras. Assim que se assumir, a Boa Rapariga pode ter a expectativa de reivindicar o seu poder e de experienciar níveis mais genuínos e gratificantes de auto-expressão.

1 comentário: