sexta-feira, 11 de setembro de 2009

As máscaras humanas: o Sobredotado

A pessoa com esta máscara é a mais activa e dinâmica em qualquer grupo. Regra geral é alguém que consegue avançar na carreira da sua escolha até ao topo, não se importando inclusive de inventar currículo apenas para conseguir os seus objectivos. Esta pessoa encontra-se sempre assoberbada pelo trabalho, envolvido numa dúzia de projectos diferentes ao mesmo tempo, comandado as tropas e ditando ordens em todas as direcções. O Sobredotado é fácil de encontrar sentado à frente da administração de uma grande empresa ou a liderar uma seita ou partido político. É um verdadeiro génio a delegar funções e a envolver-se numa multitude de projectos. O maior problema do Sobredotado é que não importa o quanto faça, nunca ficará satisfeito, pois o seu ego ferido não lhe permite saborear o sucesso. Na solidão da sua casa, que costuma ser a melhor do bairro, sente-se inútil.

Os seus sentimentos mais íntimos de não ser merecedor levam-no a querer ganhar a qualquer custo, não olhando a meios para atingir os seus fins. É a pessoa que não tem qualquer remorso em fazer batota para ganhar. Fá-lo por um simples motivo: ele avalia o seu mérito pelos feitos no mundo exterior. De tão insignificante que se sente por dentro tem que a todo o custo mostrar ao mundo que é o melhor em tudo.

Estas pessoas sofrem gravemente de um complexo de egocentrismo e sentem-se mais importantes que qualquer outro. É normal olharem para os outros com desdém, com um sorriso irónico. Quando se trata de magoar os outros, são animais ferozes. O Sobredotado não perdoa um gesto ou palavra inapropriados. Julga e critica de uma maneira quase infantil todos os que vê como obstruindo a sua caminhada em direcção ao triunfo final.

O Sobredotado está tão fixo nos resultados dos seus projectos que jamais aceitará um não como resposta. O seu perfeccionismo leva-o a ver mediocridade em todos os que o rodeiam. Isto transforma o Sobredotado numa pessoa agressiva, crítica, invejosa e muito impaciente. Odeia perder tempo a explicar mais um dos seus maravilhosos projectos. Ninguém é melhor que ele. E pobre da pessoa que lhe faça frente e mostre as suas fraquezas. A perseguição pode ser selvagem.

Em sua vantagem possui o charme, o bom gosto e requinte suficientes para que muitos gostem de o acompanhar, e são muitos que o fazem. O seu ritmo acelerado hipnotiza qualquer pessoa e convence facilmente que aquilo em que ele acredita é a verdade única. O Sobredotado sente que é um direito seu ter a melhor qualidade de vida, as maiores benesses e os melhores negócios por parte daqueles que lhe devem favores. Por este motivo é que muitas vezes cria expectativas irrealistas em qualquer tipo de relacionamento. Esta pessoa muito dificilmente conseguirá compreender a maneira de viver do comum mortal. Na verdade sente repulsa pela pobreza e por quem não tem a decência de comprar roupa apenas nas melhores lojas.

No seu íntimo o Sobredotado sente-se frustrado e inseguro, o que o leva a não conseguir estar quieto muito tempo. Quando é capaz de orientar toda a sua energia de uma maneira criativa pode tornar-se um homem de negócios competente e capaz de gerir as situações mais difíceis, mas quando a sua energia é mal orientada torna-se sedento de poder e dia após dia procura apenas o próximo prémio, o próximo reconhecimento público e a próxima salva de palmas.

A vergonha do Sobredotado é sentir-se uma pessoa sem mérito, inferior, medíocre, inútil e amedrontado.

O desafio do Sobredotado é precisamente parar de se definir pelas coisas que consegue fazer. Quando ele for capaz de dar mais valor à sua qualidade de vida do que ás suas conquistas no mundo exterior, irá ser capaz de parar e saborear os frutos do seu labor, em vez de correr loucamente atrás de mais e mais. Só quando ele se aperceber que querer mais não é o antídoto a sentir-se medíocre, tornar-se-á livre para viver cada momento. Em vez de querer valorizar-se pelo que faz passará a valorizar-se por quem é. Tem que descobrir que é uma pessoa com valor pelo simples facto de o ser, sem necessidade de obras feitas no mundo exterior.

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