sábado, 12 de setembro de 2009

As máscaras humanas: a Sedutora

A Sedutora é um predador por natureza. Mas tenha cuidado: a versão masculina consegue ser ainda muito mais! O objectivo da Sedutora é apenas um: conseguir sentir-se bem acerca de quem é.

É um predador porque o seu único objectivo é alimentar-se da auto-estima dos outros, por forma a acalmar as suas próprias feridas emocionais. Desde muito pequena que aprendeu a julgar-se a si mesma como não sendo importante, acredita que não é suficientemente boa nem suficientemente merecedora de ser amada, e por isso só consegue sentir-se integrada quando é o objecto da admiração de outro. E irá fazer uso de todos os truques para prender a admiração de outros, tal como uma aranha que tece a sua teia para prender insectos.

Regra geral a Sedutora mostra uma imagem de carinhosa, bondosa, interessada e sensual. Não se deixe enganar. Estes adjectivos são o isco para atrair a próxima presa. Uma das suas expressões favoritas é “vou ser sincera...”. Enquanto olha para si com um sorriso sensual, está já a pensar em formas de ter toda a sua atenção e abusar da sua confiança.

A Sedutora é a mulher que mais tempo gasta a tratar do seu visual e preocupa-se de maneira exagerada com a forma como os outros a vêem. A aparência física é tudo para ela. Esta atitude é necessária para aprisionar a sua presa e ter toda a atenção que consiga para poder adormecer os sentimentos de auto-desprezo e dor que carrega no mais profundo da sua mente.

O maior perigo da Sedutora é que ela não está consciente dos seus próprios motivos. E as suas presas raramente se apercebem do seu jogo antes de ser demasiado tarde. Na verdade, a Sedutora não quer saber de quem prejudica nem quais os prejuízos que a sua próxima vítima irá sofrer. À medida que vai crescendo, os seus métodos tornam-se mais subtis e poderosos, sendo capaz de farejar as inseguranças e vulnerabilidades das suas presas ainda antes de falar com elas. Pode ouvi-la a fazer afirmações de índole moralista, tentando mostrar que é uma pessoa boa, comparando-se com outros. Muito facilmente afirma que sabe quando alguém está a mentir (claro que se esquece que é preciso um bom mentiroso para reconhecer outro), e repete continuamente que odeia a desonestidade (porque a pratica e se odeia a si mesma pelo facto). Pode ter a certeza de uma coisa: nunca irá encontrar a Sedutora rodeada de pessoas com uma personalidade forte. Estas últimas afastam-se muito rapidamente. Não, ela prefere sempre os mais fracos, de preferência com uma aparência física que ela própria classifica de “feia” (porque ainda não sabe o que a verdadeira beleza é). Contudo, a Sedutora irá sentir-se sempre atraída por pessoas com mais poder do que ela, só que infelizmente as pessoas com mais poder do que ela conseguem ver a sua máscara ainda antes de ela começar a tecer a sua teia venenosa.

A Sedutora é uma mulher perigosa e muitas vezes capaz de actos perversos. Actos perversos porque ela finge amor quando na verdade nem sequer sabe o significado da palavra. Utiliza o amor fingido para capturar as suas presas. Um olhar ternurento, uma festa delicada na face, um sorriso ingénuo. E quando você acordar está preso na sua teia. Ela é perita em fazer com que os outros se sintam bem na sua presença, mas faz isto apenas para roubar todo e qualquer poder que os outros possuam. É a pessoa que gosta de dizer aos outros aquilo que eles gostam de ouvir, com o único objectivo de se tornar a melhor, a que todos admiram e amam.

A vergonha da Sedutora é sentir-se uma nulidade, vazia, indesejável, insignificante e vulgar.

O desafio da Sedutora é precisamente reconhecer que a sua extrema necessidade de ser o centro das atenções, admirada por todos e recebendo o afecto de todos, nada mais é que um grito desesperado da sua alma a indicar-lhe que é isso mesmo que ela tem que se dar a si mesma. Ela tem que estar disponível para sentir o vazio e a dor da abstinência que irá encontrar quando não tiver um admirador, quando não houver alguém para excitar ou seduzir. Quando ela for capaz de ver que tudo o que procura já se encontra dentro de si, dará início ao seu próprio processo de cura, da ligação até então perdida com a sua alma. Irá criar um espaço onde a sua auto-estima pode florescer sem necessidade de ser validada por outros.

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