quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Resgate do Ouro

Vivemos num planeta com mais de sete mil milhões de habitantes e, todavia, sentimo-nos cada vez mais sós.

Os motivos que nos levam a sentirmo-nos cada vez mais sós são vários, mas as causas são sempre as mesmas. Sentimo-nos na solidão ou pelas coisas que aconteceram nas nossas vidas, e gostaríamos que voltassem a acontecer. Ou sentimo-nos envolvidos na solidão pelas coisas que ainda não aconteceram e desejamos ardentemente que aconteçam. Em ambos os casos é tudo um trabalho interior.

Como podemos estar sós quando vivemos num mar de gente? Como podemos afirmar que os outros não nos compreendem quando nós próprios não sabemos quem somos e muito menos sabemos pedir aquilo que desejamos?

Conheço muitas pessoas que vivem em relacionamentos mortos, onde não há qualquer partilha, excepto aqueles momentos em que a sombra começa a fazer algum barulho. Quando o marido chega tarde a casa. Quando os filhos tiram más notas na escola. Quando a esposa se senta em frente à televisão à espera que sejam horas de ir dormir. E nunca, mas mesmo nunca, conseguimos arranjar uma hora para partilhar a nossa vida com aqueles que são de facto importantes. E nunca, mas mesmo nunca, temos a coragem para dizer que não gostamos do caminho que estamos a percorrer com aqueles que nos deveriam dizer algo ao coração.

O motivo está directamente escondido na nossa Sombra. Temos a sombra de escuridão, em que projectamos tudo aquilo que rejeitamos em nós nos outros. E conseguimos assim um marido infiel, uma esposa prepotente, um filho preguiçoso, um pai déspota, uma mãe mártir, um sogro frio e distante, uma sogra bisbilhoteira, uma amiga viperina e um patrão sádico. E não temos tempo para nos aperceber que todas estas pessoas, que mexem emocionalmente connosco, com a nossa essência, são projecções dos nossos aspectos negados, rejeitados e atirados para o saco da inconsciência.

Mas temos também a nossa sombra de luz. E a sombra de luz é ainda mais pesada e difícil de carregar aos ombros. Então atiramos com o que de melhor há em nós para cima dos outros. Para o marido que é um exemplo da honestidade, a esposa que é a pessoa mais carinhosa que conhecemos, o filho que é um génio, o pai que sabe ouvir os nossos problemas, a mãe que nos prepara as refeições mais saborosas do mundo, o sogro que nos ajuda quando estamos preocupados, a sogra que pinta quadros maravilhosos, a amiga que é capaz de uma empatia extraordinária, o patrão que é criativo como mais ninguém.

E mais uma vez estamos a projectar todas as nossas qualidades. E, eventualmente, temos que resgatar essas qualidades, trazê-las para o nosso consciente e aplicá-las para uma vida mais.

Mas como podemos nós resgatar a criatividade genial do nosso patrão quando não estamos minimamente preparados para a pôr em prática? Não podemos. É necessário todo um treino físico, mental e emocional para que nos seja possível abraçar a nossa luz, o nosso Ouro Interior.

O trabalho do resgate do nosso Ouro Interior tem que começar sempre por um estudo, uma observação. Em que situações seria de benefício, para mim, possuir a criatividade do meu patrão? Em que situações me seria útil possuir o afecto da minha amiga?

Para avançar neste processo iremos encontrar o maior obstáculo de todos: o medo. É o medo de sermos autênticos, verdadeiros à nossa essência, que nos impede de brilhar. E temos medo porque fomos ensinados há muitas gerações atrás, a ter medo do desconhecido. E, assim, perpetuamos este medo de nos descobrir, de nos revelarmos a nós mesmos.

Então, o primeiro passo que temos que dar é o de verificar quais as qualidades que vemos nos outros que têm um significado especial para nós. Só o facto de estarmos conscientes destes aspectos irá ajudar-nos a dar o próximo passo.

Atreva-se a sentir o medo de ser quem é.

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