domingo, 28 de março de 2010

A auto-sabotagem

Hoje iremos ver as formas como criamos auto-sabotagem nas nossas vidas, impedindo-nos de avançar em direcção ao nosso propósito.

São vários os motivos porque nos dedicamos, consciente ou inconscientemente, à auto-sabotagem: sentimento de não merecer, culpar outros, medo de brilhar, ressentimentos antigos. Em realidade de cada vez que fazemos auto-sabotagem estamos a violar-nos. E tudo isto porque há aspectos de nós que preferíamos não existissem, e há aspectos que temos medo de mostrar ao mundo com receio das críticas alheias.

Vamos então começar a fazer as pazes connosco, com os aspectos que gostamos e apreciamos e também com todos aqueles aspectos que andamos a rejeitar, a negar e a fingir que não existem.

Para mim, um dos maiores milagres da natureza que adoro observar, regra geral na televisão, é a transformação de uma larva em borboleta. É apaixonante ver a larva fechada no seu casulo, como que a tirar um tempo de isolamento para melhor se preparar para ser admirada pela sua beleza. É como se a larva soubesse de antemão que um dia irá tornar-se bela, majestosa, mas tem que antes preparar-se para não ser atraiçoada pelo seu próprio brilho. Mas o que acontece dentro do casulo é simplesmente inacreditável! O sistema imunitário da larva destrói o próprio corpo para poder dali sair uma borboleta! Antes de ser borboleta o ser vivo tem que passar por uma transformação que é muito provável lhe cause imensa dor. Mas mesmo sabendo que irá passar pela dor de sentir o seu corpo desfazer-se, a futura borboleta sabe que é para o seu bem.

Nós temos que passar por um processo idêntico, em que em vez do corpo precisar de produzir anticorpos que o destruam, cria a necessidade de neuropeptídeos específicos para sair do casulo da mediocridade e brilhar! Nós precisamos dos químicos que o nosso corpo produz quando nos perdoamos a nós mesmos. Só depois é que podemos brilhar!

A forma como cada um de nós faz o seu processo do auto-perdão pode variar. O meu conselho é simples: se a pessoa que sentes teres magoado é viva e a consegues contactar, contacta-a. Pede desculpa. Pergunta-lhe o que podes fazer para dissolver qualquer mágoa que a pessoa sinta em relação às tuas acções. Se a pessoa já partiu, ou se não a consegues contactar, pergunta à tua alma de que maneira podes conseguir esse perdão. Se o acto que cometeste foi roubar, tens mesmo que devolver exactamente aquilo que tiraste! Se foi uma mentira, tens mesmo que repor a verdade! Se te deixaste enganar, tens mesmo que ir ter com a pessoa e dizer da tua justiça! O que é pedido nesta lição é que reponhas a verdade, restabeleças a tua integridade. Só assim podes começar a prestar atenção, e evitar, os comportamentos auto-sabotadores.

O problema maior com a integridade é que esta está pré-estabelecida nos nossos circuitos neuronais, faz parte de quem somos. E de cada vez que a violamos estamos a violar-nos a nós. Tens que começar a agradar à única pessoa que consegues verdadeiramente agradar: tu mesmo! Mas isto só é possível quando nos perdoamos por tudo o que fizemos no passado. Enquanto não o fizermos iremos andar sempre com uma falta de energia que não somos capazes de explicar. É a energia da nossa integridade.

Se possível ainda hoje, faz uma lista das pessoas a quem tens que pedir desculpa. Mas faz mesmo! Não deixes para amanhã, ou para quando estiveres a enfrentar a morte nos olhos! Se soubesses que só tinhas uma hora de vida, a quem é que pedirias desculpa? Com quem ainda tens situações por resolver? Onde é que a tua alma está a pedir integridade?

Este é um assunto demasiado importante para deixar para amanhã. Não peças desculpa a partir do coitadinho da tua história, da vítima. Pede desculpa no esplendor de quem és. Assume a tua humanidade total. Com a cabeça erguida, com a voz segura, olhando a outra pessoa nos olhos, diz que precisas do seu perdão para prosseguir. Diz que erraste e queres resolver a situação por ti criada de uma vez por todas.

Também importante é ver as muitas maneiras que utilizamos para violarmos a nossa integridade. De cada vez que não nos respeitamos, de cada vez que ignoramos a voz da nossa intuição, estamos a violar-nos. E violamo-nos diariamente. Fingimos que estamos bem porque temos medo de pedir aquilo que precisamos. Violamo-nos quando estamos com pessoas com quem não queremos estar. Violamo-nos quando vamos todos os dias para um trabalho onde não sentimos alegria nem utilizamos a nossa criatividade. Violamo-nos quando somos pagos para fazer vinte e apenas conseguimos fazer dez.

Perdoar-nos por tudo isto é um momento em que escolhemos honrar quem somos, a totalidade que somos. Temos que nos perdoar pelo mal que fizemos a outros e também perdoarmo-nos pelo mal que fizemos a nós mesmos.

Proposta de trabalho

O trabalho que proponho para hoje é precisamente escrever todos os comportamentos, hábitos, pensamentos e emoções que utilizas para fazer auto-sabotagem. Torna-te consciente destes padrões. Irás descobrir que são praticamente idênticos aos padrões a que recorres para permanecer dentro da tua história de coitadinho. Depois escreve o que estás disposto a mudar. Deixo-te o meu exemplo:

Pensamentos, comportamentos, hábitos e emoções de auto-sabotagem

O que me permito mudar a partir de hoje

- Jogar “Zuma” no computador

- Passar a jogar uma hora por semana

- Preocupar-me com o que os outros podem pensar de mim

- Todas as pessoas julgam todas as pessoas, e eu não posso mudar isso

- Dizer coisas simpáticas para agradar aos outros

- Falar a minha verdade se me for pedido

- Queixar-me sobre o comportamento dos outros

- Nunca poderei mudar o comportamento dos outros, mais fácil aceitar cada pessoa como é.

Dica de Apoio

Quando descobrimos as muitas maneiras que utilizamos para nos violarmos e auto-sabotar é normal sentirmos uma tristeza invadir-nos. Podes transformar essa tristeza em compaixão: por teres a coragem de olhar para ti mesmo sem mentiras nem negações. E assumir que tudo faz parte do teu processo evolutivo. Nos próximos dias procura em ti o sentimento profundo de bem-estar com a vida por te permitires mudar aos poucos.

Bom trabalho!

(Este é um extracto de uma das lições contidas no curso online "A minha sombra - como dissolver o auto-sabotador)

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