terça-feira, 23 de março de 2010

Fingimento Puro

Tu estás a fingir. Eu estou a fingir. Todos aqui, neste glorioso planeta, estamos a fingir. Todos usamos um disfarce.

Mostras uma cara mas sentes outra. Projectas auto-estima, o melhor que és capaz, mas por dentro sentes insegurança e receio.

Mentes a ti mesmo dizendo que está tudo sob controle mas a tua mente corre velozmente em pânico, como um pássaro preso numa gaiola.

Comportas-te como um adulto, mas por dentro sentes-te uma criança brincalhona e endiabrada.

Gostarias de pensar que tudo faz sentido e tens a vida organizada, mas carregas ás costas culpa e vergonha suficientes para construir um palácio (que está há muito erguido no teu interior).

Caminhas de cabeça erguida, mas por dentro sentes vergonha de quem és.

Sorris com coragem, mas por dentro tremes com medo e tristeza.

Mostras um certo desinteresse pelo banal, mas por dentro anseias por mais.

É tudo falso – máscara encima de outra máscara, a esconder ainda outra máscara.

É isto que estás a fazer.

É isto que eu estou a fazer.

É isto que todos estamos a fazer.

E não há qualquer problema. É assim que jogamos este jogo a que chamamos vida.

O que quer que seja que estejas a mostrar ao mundo esconde um outro mundo que é o seu oposto exacto. E esse mundo esconde um outro mundo, que é o seu oposto, e assim por diante. Camada encima de camada de interpretações encima de interpretações.

Todavia, por detrás de todas as máscaras e de todas as camadas, nu, para além de qualquer disfarce, há o Eu Autêntico. E este Eu é o que alguns chamam de Tao, ou Universo, ou Deus, ou Chi, ou Qi ou Prana. Independentemente do que lhe queiras chamar, é algo indescritível, inatingível, misterioso. Seja como for, no mais íntimo de quem és, tu sabes isto. Tu sabes que és muito, muito mais que qualquer coisa que penses sobre ti.

Quando conseguires atingir a totalidade que és, a tua pureza divina, todas as pretensões caem por terra. A vida continua – nunca pára – mas tu consegues ver o jogo, como se estivesses a ver um filme. Desfrutas do enredo, da acção, mas sabes que é um filme. Sabes que o teu Eu Autêntico está a desfrutar de uma aventura limitada. Sabes que está a correr os riscos que está preparado para correr.

E quanto mais consciente estiveres do teu Eu Autêntico menos o jogo te perturba e menos ainda ofusca o processo de manifestares aquilo que queres. Ao conseguires ver para além de todas as pretensões do ego, para além de tudo o que sentes, para além de tudo o que queres, irá permitir-te ver-te no brilho verdadeiro da tua alma. E como bónus, irá permitir-te ver o brilho na alma de cada pessoa com quem entras em contacto. E irás saber o que cada ser humano sente, pensa e deseja.

Sabes o que é que cada um procura?

Amor.

É isso que nós somos, o que nos leva a fazer o que fazemos e a desejar o que desejamos. Amor. Tao. Vida. Chi. Prana. O sumo da Vida. A harmonia perfeita e absoluta. Sem limites, infinita.

O que todos procuram e não encontram porque se encontram enredados no jogo da vida.

O Amor manifesta-se de muitas formas. Em realidade, manifesta-se de tantas maneiras quantas possas imaginar. Porque tudo é amor. Quanto mais Amor é expresso mais belo se torna. E expressa-se em qualquer forma: mineral, vegetal, animal e até na forma humana.

O Amor é Pureza. A Pureza é Amor. E estas palavras são apenas palavras.

Ao abraçares a totalidade que és saberás o que é Amor. Sem julgar outros. Sem precisar de criticar ou queixar. Simples Pureza de Ser.

3 comentários:

  1. Belo texto!
    Muita verdade. Muita realidade.
    No fundo, para que nascemos? Para dar e ter Amor, em todas as suas vertentes.
    Sem isso... somos inertes.

    Gostei, sinceramente.

    ResponderEliminar
  2. Muito do realismo que atravessamos hoje em dia. Mas porquê fingir?
    Quando estou triste, estou triste.
    Quando sou enganada ou ofendida, fico triste.
    Ou antes, o meu "mau génio" salta cá para fora e percebe-se que estou mesmo zangada.
    Mas, quando estou feliz, estou feliz!
    Todos o sentem. O meu sorriso mostra, os meus olhos brilham e até o meu cabelo parece mais bonito.
    Somos seres humanos com virtudes e defeitos e desde que um não prejudique o outro, que mal há em mostrar o que somos?
    E quem nos ama, ama-nos pelo que somos.
    Mas deixa-me dizer-te que o Amor não é desculpa para tudo.
    Não é desculpa para amesquinhar, para ofender, para "brincarem" com os sentimentos dos outros.
    Não é desculpa para a mentira e muito menos para a traição.
    Há lugar, forçosamente, a queixas e criticas, quando tentam espezinhar os sentimentos de quem afinal, só tinha amor dentro de si.
    Perdoar e esquecer é um caminho longo que com muito amor-próprio se consegue alcançar.

    Bj

    ResponderEliminar
  3. Excelente, como já nos habituaste!!
    Que privilégio ter cruzado o teu caminho...!!!
    Gosto mesmo de ti, porra!!!

    ResponderEliminar