sexta-feira, 3 de junho de 2016

As histórias que contamos

As nossas histórias servem para nos identificar como únicos. Servem ainda para limitar as nossas possibilidades. Mantêm-nos afastados dos outros apesar de desejarmos fazer parte do todo, de um qualquer grupo.
As nossas histórias roubam-nos energia vital, deixando-nos cansados, desmotivados  e enfraquecidos. Quando vivemos dentro das nossas histórias limitamo-nos a repetir hábitos e comportamentos que cansam.
As conclusões que tiramos das nossas histórias transformam-se nas crenças da Sombra. Ao aceitarmos e vivermos dentro das nossas histórias estamos na verdade a ser vítimas num jogo viciado.
Mas se nós não somos as nossas histórias, quem é que somos?...
Temos medo que ao deixar partir os nossos dramas iremos perder a nossa identidade. E, se perdermos a nossa identidade, somos nada. Um vazio.

Faça o seguinte exercício: sentado e com as mãos sobre os joelhos imagine que uma das suas mãos representa a afirmação “Eu sou Tudo” e a outra mão representa “Eu sou Nada”. Faça inspirações calmas e profundas, imaginando o ar, ao expirar, sair pelas suas mãos. Aos poucos começará a ter consciência do significado destas duas afirmações. Nós somos de facto um microcosmo do macrocosmo: somos tudo e nada. Quando se sentir preparado, após 5, 10 ou 15 minutos, deixe que as suas mãos se unam. Depois abra os olhos e dê a si mesmo um grande abraço.

Só conseguimos sair das nossas histórias pessoais depois de aceitar que somos Tudo e Nada ao mesmo tempo.
Vemos a nossa história como um velho amigo. Sentimos o seu apoio, segurança e conforto. É aqui que a Sombra começa a intervir. A nossa Sombra sabe que podemos ser muito mais.
Há um Eu Falso por detrás de cada pedaço da nossa história. Ele acredita ser o herói ou vilão, a vítima ou o predador. É assim que conseguimos manter a nossa história intacta e obter uma paz temporária na previsibilidade da história.
Só que ao acreditarmos na nossa história perdemos o contacto com o Divino. Podemos intelectualizar que somos Um com a Vida. Mas nos cantos mais escuros do subconsciente não acreditamos porque nunca sentimos, a partir do coração, a união com o Todo.
É importante saber que as nossas histórias têm um propósito. São uma parte essencial da nossa evolução. Escondida nos nossos dramas há informação valiosa.
As nossas histórias contêm todos os ingredientes para sermos o melhor que podemos ser. Quais são os ingredientes?...
-       Dor;
-       Sofrimento;
-       Triunfo;
-       Alegria;
-       Falhas;
-       Vitórias...
É importante manter presente que a nossa dor tem um propósito. Serve para nos ensinar, guiar e dar-nos a sabedoria que necessitamos em cada momento. Mas enquanto não fizermos as pazes com a nossa história nunca estaremos livres para avançar.
O que conta a nossa história? Simples:
-       Ninguém gosta de mim;
-       Eu não pertenço em lado nenhum;
-       Eu sou estúpido;
-       Eu sou incompetente;
-       Eu não sou bem-vindo;
-       Eu não sou especial;
-       Eu não sou merecedor;
-       Eu sou um inadaptado;
-       Eu sou insignificante;
-       A minha vida não conta para nada;
-       Eu sou um Zé-ninguém;
-       Eu não presto;
-       Eu sou um erro;
-       Eu sou mau;
-       Eu sou incompleto;
-       Eu não mereço ser amado;
-       Eu sou um falhanço;
-       Eu não posso confiar em ninguém.

Todas estas histórias têm como tema de fundo apenas um destes cenários:
-       Não sou suficientemente bom;
-       Eu não sou importante;
-       Há algo de errado comigo.

Claro que cada um deles serve apenas para afirmar o tema da história colectiva da humanidade, que é precisamente: coitadinho de mim.

Temos que possuir a humildade suficiente para saber que na verdade não sabemos que experiências precisamos para sentirmos o ser completo e divino que reside dentro de nós.

Quem é que eu seria sem uma história?... Talvez livre, talvez presente.

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