segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Prioridades

Diariamente, momento a momento, a vida apresenta-se como uma série ininterrupta de escolhas.
Levanto-me agora, ou fico na cama mais cinco minutos? Lavo o cabelo ou deixo isso para a noite? Tomo um café ou espero até chegar ao trabalho? Olho para os lados antes de atravessar a rua, ou arrisco um atropelamento? Telefono ao amigo ou vou ao Facebook ver o que todos os outros “amigos” andam a fazer? Preparo um jantar surpresa para a pessoa que digo amar ou espero que ele/ela o faça por mim? Foco a atenção no que está a acontecer aqui e agora ou dedico-me a pensar em tudo o que de mau aconteceu no passado e crio ansiedade em relação a um futuro que ainda não chegou?

Pois é. Prioridades.

Isto significa perguntar-me constantemente o que realmente é importante para mim neste momento. E, claro, isto parece ser muito trabalhoso. Não é. Em realidade estamos constantemente a responder a esta questão através das nossas acções. Inconscientemente.

A companheira pode dizer que nos ama, e as suas acções mostram que queixar-se à amiga acerca de um hábito nosso tem prioridade em relação ao afecto que pode demonstrar por nós. O companheiro diz que somos importantes na sua vida, e as suas acções mostram que a prioridade do dia é agradar ao chefe e não surpeeender-nos com o nosso chocolate favorito. A amiga diz que nós somos importantes na sua vida, e as suas acções mostram que a sua prioridade é colocar fotos maravilhosas e sorridentes no Facebook em vez de um telefonema a falar-nos da sua vida ou perguntar-nos acerca da nossa.

Tornar-me consciente significa perguntar-me, conscientemente, o que é mais importante para mim neste preciso momento. É mais importante mandar um recado público pelo Facebook, ou partilhar um café com um amigo de longa data? É melhor passear e colocar as ideias em ordem, ou passar uma hora na maledicência?

Muitos amigos meus já me ouviram dizer isto: não ouço o que as pessoas dizem, ouço o que fazem. E quando tu deixas de ser uma prioridade na minha vida, a questão a colocar-te é simples: onde é que as minhas palavras e as minhas acções se tornaram incompatíveis, ou incongruentes?

Num relacionamento a dois esta questão das prioridades é o que mantém a relação viva ou a condena à morte ou sofrimento. Como seres humanos é natural querermos coisas uns dos outros. Mentimos se dissermos que não esperamos nada do outro. E se nós tornamos o outro a nossa prioridade e não vemos o mesmo do outro, claro que as nossas prioridades irão mudar também. É natural.

Fazemos todos o mesmo jogo. E hoje, apenas hoje, quais serão as tuas prioridades?


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