quarta-feira, 6 de junho de 2018

Compreender as emoções


As nossas emoções surgem a partir de uma parte do cérebro inconsciente, reactivo, responsável por manter-nos vivos. O Córtex Frontal do cérebro é o responsável por interpretar e processar essas emoções e actuar de acordo com o significado que lhes atribui. Ou seja, não respondemos a uma situação de acordo com o que sentimos mas sim de acordo com o significado que atribuímos ao que sentimos.

Nos últimos trinta anos temos assistido a um cada vez maior número de apologistas do positivismo, do pensamento positivo, da emoção positiva. Isto causa muitos danos a uma mente minimamente saudável.
A realidade é que sem emoções ditas negativas não seríamos impelidos à acção.

A emoção negativa é a forma de o corpo, a vida, nos impulsionar à acção. Se sinto um tédio, vou passear. Se sinto nojo de um alimento, não o como. Se determinado emprego me deixa sem energia ou enraivecido, mudo de emprego. Se me sinto triste, cuido de mim, das minhas necessidades.

A emoção dita positiva é o que resulta após ter entrado em acção, depois da emoção negativa.

Um exemplo. Sinto-me magoado no local de trabalho e desrespeitado. Estes sentimentos são a forma do nosso inconsciente nos impulsionar à acção. Posso aprender algo sobre o que me causa o mal-estar. E posso até abandonar o emprego, procurando outro onde me sinta melhor. Ao abandonar o emprego irei sentir uma sensação de alívio. Isto é sinal de que estou no caminho certo. Depois encontro um trabalho onde há respeito e valorização e sinto-me feliz. O sentir-me feliz é a recompensa por ter entrado em acção aquando do sentimento de mágoa e desrespeito. E é um sentimento temporário, irá desaparecer.

Daí que não é possível ser feliz. Porque a felicidade é a emoção que surge naturalmente após ultrapassar um desafio ou realizar algo que nos é querido. A felicidade é um momento. Até ao próximo desafio.

Então, para começar a compreender as emoções negativas, que na realidade são positivas, a pergunta a colocar-me é: o que significa isto para mim?

Notem como, perante uma situação difícil aprendemos a colocar a questão “porquê?” Porquê que algo me acontece é a pergunta que me colocará no lugar da vítima. Desde sentir-me menos que os outros, a acreditar que não mereço ou a vida é injusta, o porquê não resolve as nossas emoções negativas, apenas as reforça.

Pegando no exemplo anterior. Se no trabalho observo que não sou respeitado e surge o sentimento de mágoa, posso perguntar-me “o que significa para mim manter-me neste emprego onde não sou respeitado?”. Poderão surgir vários significados. Significa que eu não me respeito, significa que acredito que tenho que sacrificar o meu amor-próprio por um salário, significa que ninguém me apoia, significa que não presto.... Depois posso ainda questionar cada um destes significados. Por exemplo, a questão do “não presto”. Observo que sei cuidar de mim, ajudo amigos, faço voluntariado, etc, etc, etc. Isto mostra-me que os significados que estou a atribuir à situaçãoo inicial são todos baseados em mentiras. E este é o ponto de partida para a mudança. A emoção passa da mágoa para o alívio, e daqui para a coragem, por exemplo. Por sua vez, a coragem leva-me a entrar em acção e procurar outro emprego. E ao encontrar esse emprego surge a alegria. A alegria é a recompensa pelo trabalho efectuado. Querer permanecer nesse estado de alegria é uma loucura.

Não é possível ter experiências de felicidade ou alegria sem ultrapassar desafios que provocam estados emocionais negativos.

1 comentário:

  1. Sim, a felicidade eterna é uma utopia. Temos momentos de felicidade, mas não há uma vida que seja sempre feliz. Se assim fosse não teríamos porque lutar, porque continuar este caminho... seria o fim.

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