quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Um dia perfeito

Esta manhã acordei a sentir dores articulares. E parecia que tinha engolido agulhas que agora permaneciam na garganta. E o nariz pingava. A cabeça parecia que ia rebentar. E transpirava. Será que é uma gripe? Ou o corpo quer descansar? Ou comi qualquer coisa ontem que afectou o corpo? Não sei. Mas não preciso de saber. O corpo pediu água. Levantei-me e fui beber água. Ao lado da água havia uma embalagem de geleia real. Tomei uma cápsula. Pareceu-me uma boa ideia. Depois o corpo pediu de comer. Tirei do frigorifico um iogurte e ao lado vi os frasquinhos de Metavir. Hummm. Vou tomar umas gotas, pensou-se.

Depois deitei-me no enorme sofá da sala. O corpo queria descansar. E eu observava. Vi televisão. Não sabia que estava a acontecer tanta coisa no mundo.

Foi delicioso descobrir que só as pessoas com um peso determinado é que podem ser felizes. E ri-me. E depois disseram-me que para ser feliz precisava da companhia certa. E ri-me mais um pouco. A seguir disseram-me que o hinduísmo é o caminho para uma vida feliz. E ri-me mais um pouco. O querido Rui fez chá de equinácia e eu bebi. Tão querido. E deu-me uma cápsula de alho. Tomei-a. Não vi motivos para não o fazer.

Apeteceu-me cozinhar. Preparei o almoço. Delicioso. E observava as articulações doridas, a cabeça pesada. O corpo a experienciar-se.

Depois de almoçar deitei-me no enorme tapete da sala. Não sei porque o fiz. Adormeci e só acordei ás quatro da tarde. O querido Rui tinha colocado uma manta a cobrir-me. Delicioso.

E quando acordei tinha a mente cheia de pensamentos que surgiram do nada.

Ninguém tem o direito de nos dizer como devemos viver a nossa vida. A pessoa que o faz está a tentar manipular e oprimir. E não respeita minimamente quem somos. Como é que alguém pode saber o que é melhor para mim?

E observo que há pessoas que utilizam a fé e a religião para fazer guerra. Utilizam as suas crenças religiosas para nos dizer que estamos errados. A arrogância!

Todos a exigir continuamente que todos sejam quem não são. Não me diz respeito se tu és católico, ou hinduísta, ou budista, ou islamista ou zen. É um assunto teu. E independentemente da tua religião (que se observares com atenção nunca foi uma escolha), eu continuo a amar-te. Mas o meu amor é puro egoísmo: faz-me sentir bem quando estou contigo. Não quero que mudes nem que tentes agradar-me. Não preciso. Amo-te tal como te apresentas.

Observo que todas as religiões possuem aspectos positivos. Excepto quando exigem que a pessoa deixe de ser quem é. Quando ensina a pessoa a afastar-se daqueles que não partilham os seus preceitos.

Descubro que não tenho o direito de exigir que os outros mudem para eu estar bem. Nem tento ensinar nada a ninguém. Só a mim. E quando eu me ensino, sei que outros poderão beneficiar. Ou não. E é ok.

A maior asneira que nos poderiam ensinar é que podemos controlar a vida. Que disparate insano! Ensinam-nos que se formos pessoas boas a vida irá recompensar-nos (e não é o que faz continuamente, independentemente do rótulo que colocamos na testa?). O que observo é que a vida acontece. Desenrola-se. Flui. E este corpo é como uma gota no oceano. Um oceano feito de amor. E a gota nunca sabe onde vai parar. E não se preocupa. Sabe que é parte desse oceano de amor. Tudo o mais são histórias.

Faz um favor a ti mesmo: não queiras que os outros sejam quem não são para tu estares bem. O que observo é que quando vivo assim, os outros são sempre perfeitos. Sempre amorosos. A serem quem são. E eu o privilegiado que está presente.

E a vida, sempre a fluir. Não quer saber dos nossos preconceitos, crenças, tradições ou culturas. Simplesmente flui. Haverá algo mais delicioso que observar a vida a fluir?

A minha mente diz-me que há: deitar-me no sofá e descobrir mais um pouco do mundo lá fora através da televisão. Delicioso.