quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Presente

Já todos ouvimos a expressão “esta vida são dois dias”. É mentira.
Esta vida é agora. Agora. Agora.
Ninguém consegue ter a certeza que dentro de dois minutos continuará vivo. Ninguém.
E sabendo que a tua vida pode terminar dentro dos próximos dois minutos, o que realmente é importante na tua vida neste momento?
Será o tempo passado no Facebook? A próxima “selfie” para colocar no Instagram? Alimentar o ressentimento de um pai que no passado não estava presente? Recordar aquela mágoa antiga? Queixarmo-nos do “mau” tempo? Criticar os outros por não saberem mais do que sabem? Sofrer por não ter aquilo que queremos, agora?
O que é realmente importante neste momento? Já te perguntaste?
Já notaste como muito provavelmente hoje já comeste qualquer coisa? Já andaste? Já pudeste ver o mundo à tua volta? Que há pessoas à tua volta? O cheiro que vem da rua, seja ele qual for?
Faço muitas vezes ao dia isto: ficar parado a observar este corpo, o que rodeia este corpo. Parado. E depois surge um pensamento. “Levanta-te, vai comer uma tangerina”. Ou “sai da cama”. Ou “telefona ao irmão”. Ou “abre a porta”. Instruções simples.
Não desejo mais do que aquilo que está presente agora. O que está presente é sempre bondade. Se eu a quiser ver. Não são os outros que têm que ver a bondade presente. Os outros vêem o que vêem, não me diz respeito. E nesta simplicidade respeito o que os outros vêem no momento. Se sofrem é apenas porque estão confusos. E é ok.