quinta-feira, 25 de março de 2010

Relacionamentos vergonhosos

Praticamente todas as pessoas cresceram num ambiente de vergonha. O sentimento de vergonha numa criança é avassalador. Ao ser julgado, criticada, castigada, a criança aprende que não é merecedora de ser autêntica, de ser quem é de verdade. O seu Dom é abafado e remetido para um recanto do inconsciente. Mais tarde, como adulto, irá criar laços afectivos que mostram o quanto se sente inadequado ou imperfeito. Ao fazer isto estará, inconscientemente a apontar o dedo a quem, na infância, a envergonhou e a afirmar "tu comigo erraste". Ao mesmo tempo irá tornar-se o juíz e carrasco de si mesmo, não se permitindo viver uma vida espontânea em que cada emoção é expressa de maneira apropriada.

Abaixo ficam algumas das características de qualquer relacionamento baseado na vergonha.

1. - Perdemo-nos completamente no amor do outro;

2. - Quando discutimos é como se estivéssemos a lutar pela própria vida;

3. - Gastamos imensa energia a adivinhar o que os outros pensam. Perguntamo-nos a nós mesmos o que a outra pessoa estará a pensar ou sentir, em vez de perguntar directamente à pessoa amada;

4. - Sai-nos muito caro o preço pago pelos poucos bons momentos da relação;

5. - Quando damos início à relação é como se assinássemos dois contractos, um consciente e outro inconsciente (este último garante que iremos sofrer);

6. - Culpamos a outra pessoa e culpamo-nos a nós mesmos;

7. - Desejamos a separação e quando acontece queremos a outra pessoa de volta;

8. - Sabemos que a dinâmica da relação irá mudar, mas queremos que se mantenha inalterada até ao fim;

9. - Sentimos com frequência que a outra pessoa controla o nosso comportamento;

10. - Sentimos uma atracção irresistível pelas qualidades positivas que vemos na outra pessoa e que há muito rejeitámos em nós;

11. - Com frequência dedicamo-nos a fantasias que não envolvem a outra pessoa;

12. - Procuramos o amor incondicional da outra pessoa que não conseguimos obter quando ainda crianças.

Uma das formas de curar este sentimento de vergonha é regressar à infância. Analisar com cuidado cada experiência em que nos foi dito que não podíamos, ou não merecíamos, ou não seríamos capazes, ou não devíamos. Observar cada situação e re-interpretar com uma observação que nos dê poder, em vez de no-lo roubar.

terça-feira, 23 de março de 2010

Fingimento Puro

Tu estás a fingir. Eu estou a fingir. Todos aqui, neste glorioso planeta, estamos a fingir. Todos usamos um disfarce.

Mostras uma cara mas sentes outra. Projectas auto-estima, o melhor que és capaz, mas por dentro sentes insegurança e receio.

Mentes a ti mesmo dizendo que está tudo sob controle mas a tua mente corre velozmente em pânico, como um pássaro preso numa gaiola.

Comportas-te como um adulto, mas por dentro sentes-te uma criança brincalhona e endiabrada.

Gostarias de pensar que tudo faz sentido e tens a vida organizada, mas carregas ás costas culpa e vergonha suficientes para construir um palácio (que está há muito erguido no teu interior).

Caminhas de cabeça erguida, mas por dentro sentes vergonha de quem és.

Sorris com coragem, mas por dentro tremes com medo e tristeza.

Mostras um certo desinteresse pelo banal, mas por dentro anseias por mais.

É tudo falso – máscara encima de outra máscara, a esconder ainda outra máscara.

É isto que estás a fazer.

É isto que eu estou a fazer.

É isto que todos estamos a fazer.

E não há qualquer problema. É assim que jogamos este jogo a que chamamos vida.

O que quer que seja que estejas a mostrar ao mundo esconde um outro mundo que é o seu oposto exacto. E esse mundo esconde um outro mundo, que é o seu oposto, e assim por diante. Camada encima de camada de interpretações encima de interpretações.

Todavia, por detrás de todas as máscaras e de todas as camadas, nu, para além de qualquer disfarce, há o Eu Autêntico. E este Eu é o que alguns chamam de Tao, ou Universo, ou Deus, ou Chi, ou Qi ou Prana. Independentemente do que lhe queiras chamar, é algo indescritível, inatingível, misterioso. Seja como for, no mais íntimo de quem és, tu sabes isto. Tu sabes que és muito, muito mais que qualquer coisa que penses sobre ti.

Quando conseguires atingir a totalidade que és, a tua pureza divina, todas as pretensões caem por terra. A vida continua – nunca pára – mas tu consegues ver o jogo, como se estivesses a ver um filme. Desfrutas do enredo, da acção, mas sabes que é um filme. Sabes que o teu Eu Autêntico está a desfrutar de uma aventura limitada. Sabes que está a correr os riscos que está preparado para correr.

E quanto mais consciente estiveres do teu Eu Autêntico menos o jogo te perturba e menos ainda ofusca o processo de manifestares aquilo que queres. Ao conseguires ver para além de todas as pretensões do ego, para além de tudo o que sentes, para além de tudo o que queres, irá permitir-te ver-te no brilho verdadeiro da tua alma. E como bónus, irá permitir-te ver o brilho na alma de cada pessoa com quem entras em contacto. E irás saber o que cada ser humano sente, pensa e deseja.

Sabes o que é que cada um procura?

Amor.

É isso que nós somos, o que nos leva a fazer o que fazemos e a desejar o que desejamos. Amor. Tao. Vida. Chi. Prana. O sumo da Vida. A harmonia perfeita e absoluta. Sem limites, infinita.

O que todos procuram e não encontram porque se encontram enredados no jogo da vida.

O Amor manifesta-se de muitas formas. Em realidade, manifesta-se de tantas maneiras quantas possas imaginar. Porque tudo é amor. Quanto mais Amor é expresso mais belo se torna. E expressa-se em qualquer forma: mineral, vegetal, animal e até na forma humana.

O Amor é Pureza. A Pureza é Amor. E estas palavras são apenas palavras.

Ao abraçares a totalidade que és saberás o que é Amor. Sem julgar outros. Sem precisar de criticar ou queixar. Simples Pureza de Ser.